Ontem, Robin Williams deixou de rir

Recordo o professor inspirador de adolescentes de O Clube dos Poetas Mortos ou o psicólogo de O Bom Rebelde. Aquele que ajuda Will Hunting a encontrar o seu caminho, enquanto ele próprio enfrenta os seus medos. Recordo-os muito mais que o radialista Adrian Cronauer de Bom Dia Vietnam, embora este (e o seu famosos grito matinal) também sejam inesquecíveis.

Na realidade não há muitas personagens de Robin Williams de que me esqueça. Não era actor de passar despercebido. Faz parte da galeria dos ‘bigger than life’. Daqueles cuja presença num filme nos fazia sentir confortáveis, que reconhecíamos como um de nós, alguém de confiança. Um amigo nosso.
Robin Williams era, sim, um dos melhores amigos de Christopher Reeve. Desde os tempos da escola Julliard, que ambos frequentaram.

Em 1995, após a queda que o paralisou, o actor de Super Homem contou à jornalista Barbara Walters uma história de quando “queria morrer”.

Estava no hospital a aguardar uma operação que podia ser fatal. Envolvido nos seus “pensamentos negros”, como disse na sua autobiografia.

De repente entra no quarto um médico agitado. “Vire-se!”. Surpreendido, Reeve perguntou “O que?”. O médico respondeu “Vire-se”, preparando-se para fazer um exame rectal.

Quase a chamar a enfermeira, Reeve percebeu que, afinal, quem ali estava não era um médico mas sim Williams. Acabado de interpretar o Dr. Kosevich, em Nove Meses, o actor resolveu animar o seu velho amigo, afastando as nuvens negras com a sua presença num simples momento de surrealismo. Com sucesso. Reeve soltou uma gargalha e, como contou a Walters, percebeu que se podia rir, podia viver.

Ontem, Robin Williams deixou de rir.

Ontem, Robin Williams deixou de rir