A questão

A questão é sempre a mesma e, de resto, nem há razões para que seja diferente. Afinal ainda ninguém deu uma resposta. Pelo menos uma resposta convincente. Não foi por falta de tentativas.

É uma espécie de “quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha”? Só que, neste caso, o mistério é ainda maior, mais profundo. No primeiro já se sabe que a resposta lógica é “o ovo”. No segundo não há resposta lógica. Aliás, nem sequer há resposta. Lembras-te? Foi só há duas ou três frases atrás. Aquela coisa de muitos terem tentanto mas ninguém convenceu? Claro que sim, como haverias de não te lembrar se passaram apenas umas quantas letras neste percurso.

É a questão que se coloca em certos momentos. Uns emocionais, outros filosóficos, quando nos dá para pensar nas grandes questões do universo. Do nosso universo. Daquele conjunto de coisas e pessoas que fazem parte da nossa rua ou bairro, se é que os temos. Para muitos é o cosmos do prédio, dos doze andares e só não são treze porque o construtor era supersticioso. Daqueles doze andares com quatro ou cinco pequenas galáxias em cada um deles. Mundos por vezes tão inalcansáveis como aqueles planetas de que ouvimos falar. Dizem que estão a anos luz da nossa quase bola maioritariamente azul.

Há dias, numa dessas galáxias, alguém deu um berro e bateu a porta com mais força. Pensei logo em tempestade. Não vos posso dar detalhes. O metereologista que há em mim não quis saber. Estava demasiado ocupado com a questão. Que ainda não tem resposta.

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A questão

Divisória

É como uma espécie de divisória. Às vezes há uma linha a separar, mesmo que imaginária. Outras não há nada. Pelo menos que se veja. Sabemos que está lá a marcar o território, como o animal que vai urinando para a terra enquanto te olha de lado. Como um desafio e um aviso. Nem penses em transpor o meu domínio. Senão já sabes o que te espera.

Divisória

O poeta

Foi há uns anos atrás. A professora de Filosofia, que tinha aberto a aula de forma solene, anunciando que no ano lectivo seguinte iria para uma escola no Algarve, esse longínquo reino a 600 quilómetros de percurso, entregou os testes avaliados um a um, acompanhando-os de comentários.

“Tem muita poesia, muitas palavras, mas não está aqui a matéria”, disse-me, quando chegou a minha vez, com um sorriso condescendente, como quem dá os pêsames ao familiar distante de um falecido. “Era muito boa pessoa mas, às vezes, era difícil de aturar”.

Poesia? Eu? Nem era apreciador do género, nada sabia de rimas e nunca entendi a utilidade de analisar um poema de Pessoa pela métrica.

Vi-me assim, de um dia para o outro, catalogado de poeta. Em abono da verdade deve dizer-se que tive mérito. Aquela parte da matéria tinha-se escapado para parte incerta e o teste exigia respostas. Manias de professores.

Nunca fiz dramas perante uma folha vazia, a não ser em Matemática, e lá fui juntando palavras, umas atrás das outras, frases sobre frases. Lembro-me de palavras bonitas e frases bem construídas, com um vocabulário rico (na altura era um devorador de livros). De conteúdo relevante, quase nada. Parece que era isso que interessava e não a poesia, que, ainda assim, rendeu um ou dois valores.

O poeta

Dogmas

Your time is limited, so don’t waste it living someone else’s life. Don’t be trapped by dogma – which is living with the results of other people’s thinking. Don’t let the noise of others’ opinions drown out your own inner voice. And most important, have the courage to follow your heart and intuition.

Steve Jobs

Dogmas

Emotions

“Emotions are inseparable from and a necessary part of cognition. Everything we do, everything we think is tinged with emotion, much of it subconscious. In turn, our emotions change the way we think, and serve as constant guides to appropriate behavior, steering us away from the bad, guiding us toward the good.”

Donald Norman

Emotions