My Darling Clementine

Por regra, sempre gostei mais dos títulos originais do filmes do que das respectivas traduções. Há excepções, claro, mas por isso é que há regras e excepções.

Vejamos, por exemplo, A Paixão dos Fortes. O título em português, convenhamos, é bom. É um western, há tiros, há homens duros, há vingança. Há homens fortes. Fortes mas sem esquecer os sentimentos.

A conjugação de paixão e fortes não é simples de se fazer. Raras vezes fica bem. Neste ficou.

Comparemos com o original: My Darling Clementine. À partida parece um título banal. Até darmos conta que Clementine é a mulher por quem os fortes se apaixonam. Até verificarmos que a fita nos leva à história do tiroteio de Wyatt Earp, ao lado de um Doc Holliday mais morto que vivo, com os irmãos Clanton.

Outros filmes contaram a mesma história mas preferiram outros títulos, com Tombstone.

John Ford não foi por ai. Seguiu o caminho mais difícil. O homem que fazia westerns preferiu entregar o título do seu western a uma mulher. Clementine é o centro do filme. Está sempre presente mesmo quando não está no ecrã. Está lá quando são os homens os protagonistas. Sabemos que há homens duros, há tiros, vingança, morte mas quem domina é uma mulher. Embora não na totalidade.

Na antecâmara de mais de um momento de tensão, Wyatt Earp (Henry Fonda) pergunta a Mac se alguma vez esteve apaixonado. “Não, toda a minha vida fui empregado de bar”.

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My Darling Clementine