A questão

A questão é sempre a mesma e, de resto, nem há razões para que seja diferente. Afinal ainda ninguém deu uma resposta. Pelo menos uma resposta convincente. Não foi por falta de tentativas.

É uma espécie de “quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha”? Só que, neste caso, o mistério é ainda maior, mais profundo. No primeiro já se sabe que a resposta lógica é “o ovo”. No segundo não há resposta lógica. Aliás, nem sequer há resposta. Lembras-te? Foi só há duas ou três frases atrás. Aquela coisa de muitos terem tentanto mas ninguém convenceu? Claro que sim, como haverias de não te lembrar se passaram apenas umas quantas letras neste percurso.

É a questão que se coloca em certos momentos. Uns emocionais, outros filosóficos, quando nos dá para pensar nas grandes questões do universo. Do nosso universo. Daquele conjunto de coisas e pessoas que fazem parte da nossa rua ou bairro, se é que os temos. Para muitos é o cosmos do prédio, dos doze andares e só não são treze porque o construtor era supersticioso. Daqueles doze andares com quatro ou cinco pequenas galáxias em cada um deles. Mundos por vezes tão inalcansáveis como aqueles planetas de que ouvimos falar. Dizem que estão a anos luz da nossa quase bola maioritariamente azul.

Há dias, numa dessas galáxias, alguém deu um berro e bateu a porta com mais força. Pensei logo em tempestade. Não vos posso dar detalhes. O metereologista que há em mim não quis saber. Estava demasiado ocupado com a questão. Que ainda não tem resposta.

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A questão