Havemos de cá voltar e isto não sai daqui para lado nenhum

“Havemos de cá voltar e isto não sai daqui para lado nenhum”. Era o último dia completo de viagem, a tarde estava já no fim, havia algum frio e eram 13 dólares. Apenas 13 dólares.

Este ‘apenas’ tem de ser enquadrado. Eram outros tempos, o escudo era a moeda deste nosso canto, o euro só seria uma realidade dali a quase um ano, e estava longe de impressionar as notas verdes. Além disso, as férias estavam quase no fim e o dinheiro, como ainda hoje, não abundava. Por isso, os ‘apenas’ 13 euros eram mais um choroso ‘ainda por cima são 13 euros’.

Depois da hesitação, a decisão. Não subimos. Ficamos pelo imponente hall de entrada, vimos os elevadores abrir e fechar com muita frequência, gente a chegar e a partir. Foi isto durante uns minutos. Não fomos até ao topo, não vimos o que de lá se via. Deixamos para mais tarde. Para quando lá voltássemos. Por certo, aquilo estaria ali. Não ia para lado nenhum.

Já lá vão mais de 10 anos. Não voltei a Nova Iorque. E aquilo já lá não está. As Torres Gémeas, o World Trade Center, foi derrubado num imponente KO uns nove meses depois de me ter acolhido.

O melhor é não termos nunca certezas absolutas.

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Havemos de cá voltar e isto não sai daqui para lado nenhum