Se isto não é dignidade, então não sei o que a dignidade é

Civis polacos prisioneiros da Alemanha Nazi em 1939
(LOC)

Talvez os olhos sejam o espelho da alma como alguém, já não sei quem, não me recordo, escreveu ou disse ou coisa que o valha. Talvez esteja lá tudo e uns olhos tristes desmintam a alegria de uma cara sorridente.

Neste caso há dignidade em tudo. Há o olhar fixo e forte, como se aqueles olhos nunca pestanejassem, o resto fechado, a linha fina da boca cerrada, um certo aprumo no meio do desalinho. A cabeça levantada. Até as mãos, levantadas em sinal de rendição, têm os dedos esticados. Rendido sim, mas não vencido.

É um contraste. Ao lado, atrás e à direita, os olhos no chão, as mãos meio fechadas dão o sinal da derrota. Como à esquerda. Os dedos estão esticados e a cabeça levantada. Mas, diabo, está demasiado levantada, em sinal de desespero acentuado pela boca aberta.

É a resignação em contraponto com a dignidade. São todos polacos e acabam de ser feitos prisioneiros pelos Nazis. Estamos em Agosto de 1939 e a Polónia está a ser subjugada pela Alemanha de Hitler. Provavelmente todos estes prisioneiros morreram. Mas uns morreram primeiro que outros.

(Mais imagens em In Focus, num especial de 20 partes sobre a II Guerra Mundial. Este foi o segundo).

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Se isto não é dignidade, então não sei o que a dignidade é