Um problema de expressão

Por causa deste post dei-me a pensar na fórmula de despedida “adeus”. Raramente digo adeus. Prefiro um ‘até à próxima’, ‘até logo’, um simples informal ‘inté’ e um informalíssimo ‘xau’… Nesse aspecto acho que o ‘au revoir’ francês (que também usam o ‘adieu’) ou o ‘goodbye’ inglês têm mais sentido. Soam mais ligeiros e não contém uma certa carga negativa que, mal ou bem, atribuímos ao ‘adeus’.  A culpa não é da palavra, apenas da forma como interpretamos o seu significado.

O ‘adeus’ soa mais distante, como algo definitivo, embora na realidade seja uma recomendação. Estamos a recomendar ‘a Deus’ que acompanhe a quem nos dirigimos, ao mesmo tempo que encomendamos essa pessoa ‘a Deus’. Que tudo te corra bem, se Deus quiser. Vai com Deus.

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É uma palavra com uma forte componente religiosa. Nem é apenas consequência de um certo espírito português que nos acompanha há séculos. Veja-se o ‘adiós’ espanhol e o ‘addio’ italiano, embora o corrente em Itália seja o belo ‘ciao’, que funciona para o ‘olá’ como para o ‘adeus’.

Afinal é como o inglês ‘goodbye’ (que nasce de God be with you – que Deus esteja contigo). Só que dizer ‘goodbye’ é muito mais ligeiros que ‘adeus’.

Já diziam os Clã, em Problema de Expressão, que é mais fácil dizer ‘I love you’ que ‘Amo-te’.

(Também publicado em Aventar)

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Um problema de expressão