O povo saiu à rua mas vai continuar à rasca

É uma das perguntas sacramentais deste tipo de eventos. A festa foi bonita, houve muito povo, enrrascados ou com eles solidários, se bem que enrrascados estamos todos, muitos protestos, afinal este foi o dia em que o povo saiu à rua para mostrar que tem poder.

Vai longa a frase mas não lhe percam o sentido. Não é da manifestação que quero falar. É do dia seguinte. É de amanhã, de depois de amanhã, na próxima semana, no próximo mês, no próximo ano.

Hoje é a euforia. O nosso clube ganhou. A malta esteve em grande e foi para a rua, mobilizou-se, saiu de casa contra a resignação. Estiveram todos unidos pela mesma causa. Mas e amanhã, pá (este pá foi pedido emprestado aos Homens da Luta)? Como vai ser depois da resaca?

“Ah e tal que o manifesto é fraquinho…” ouvi dizer ao longo dos dias. “Pois, são mais uns que falam, falam, mas não fazem nada”, argumentaram outros.

É verdade que o manifesto era fraquinho. De tanto querer enfiar todos no mesmo saco, era um conjunto de banalidades em que todos, literalmente todos, nos poderiamos rever. Era uma espécie de Ruca misturado com Nody e umas pinceladas de Calvin, embora sem os meninos mal comportados de South Park e muito menos um American Dad.

Ideias, propostas, sugestões? Nada. Parece que foram recolhidas hoje, em folhas A4. Parece que vão ser entregues na Assembleia da República. Alto! Perdão, vão ser entregues onde? Na Assembleia da República. A partidos políticos? Ah… está bem.

A revolução segue dentro de momentos, num Facebook perto de si.

Texto publicado originalmente no Aventar, com o título “Manifestação da Geração à Rasca, à rasca com o dia seguinte”

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O povo saiu à rua mas vai continuar à rasca