O medo, segundo Joshua Hoffine

I

Até há poucos dias, nada. Quase de um dia para o outro, a criança, de pouco mais de dois anos, começou a ter medo de barulhos correntes, que até ai não a assustavam, e exige sempre companhia. Está com medo.

Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.

Platão

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II

Conheci a obra de Joshua Hoffine graças a O Mundo de Alice. Por uma fotografia artística de um velho casébre, rodeado de caveiras, com uma velha soturna à janela, uma criança de ar inocente à porta e alguns chupa-chupas como atracção fatal. Fez lembrar o conto infantil dos irmãos Grimm, Hensel e Gretel. A beleza visual da imagem não deixa esconder a componente assustadora da composição.

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As imagens de Joshua Hoffine não são fotografias. São arte. Acerca da psicologia do medo. Diz que nascemos com medos herdados e instintivos, como o medo pelo escuro, um certo perigo à espreita e o medo de sermos alimento de algum monstro que ande debaixo da cama. À medida que crescemos, esses medos perdem intensidade e são enterrados no nosso subconsciente. Por isso, Hoffine faz das fotografias de horror a apresentação abstracta dos medos esquecidos. 

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E o fotógrafo leva estas coisas muito a sério. No site, garante que encena cada imagem como se se tratasse de pequenos filmes, com cenários, adereços, roupas, máquinas de fumo e maquilhagem. E os intérpretes não são mais que amigos e elementos da sua família, que também ajudam a preparar cada fotografia (está tudo contado e detalhado no seu blogue). 

“Como os contos, estas fotografias funcionam como metáforas sobre os potenciais perigos do mundo”, acrescenta Joshua Hoffine.

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