Deolinda: “Que parva que sou”; e assim nascem os hinos

Um dia ainda se vai fazer história sobre como se fazem os hinos sociais. Não aqueles que dão colorido a uma qualquer nação, sem dúvida significativos mas que perdem importância perante aquelas canções que, num dado momento, num certo contexto, são sentidas por toda uma comunidade.

É nosso, somos nós que estamos ali retratados, um pedaço da nossa vida que ganhou relevância naquele instante. São assim os hinos. Há mesmo aqueles que o são por fruto do acaso. Paulo de Carvalho ganhou um lugar na história de Portugal porque interpretou a canção que serviu de senha para a revolução de 1974. Há aqueles que resultam do momento e o ajudam a transformar, como alguns dos temas dos Beatles, autores de diversos hinos ao longo da agitada década de 60 ano século passado. Há uns dois anos houve quem visse em Movimento Perpétuo Associativo (MPA), dos Deolinda, o tema adequado para ilustrar o verdadeiro espírito português.

Agora, um outro sentimento luso, da geração nem – nem (nem trabalha, nem estuda), surge retratado, desta vez propositadamente, na música do quarteto. Há pouco mais de uma semana, no primeiro dos concertos nos coliseus, do Porto e Lisboa, a banda apresentou um tema inédito. “Parva que sou” surgiu no ‘encore’. Mesmo sem que o povo presente conhecesse a música e a letra – afinal era a estreia – fez sucesso imediato e foi dos mais aplaudidos da noite, com muitos dos presentes a identificarem-se com a letra. Sinal dos tempos. Desta vez, eu estava lá. Se calhar vi fazer-se história.

Deolinda: Parva que sou

A letra da canção está no Aventar, com uma vénia ao João José Cardoso, que assinalou haver, finalmente, um hino no feminino.

Anúncios
Deolinda: “Que parva que sou”; e assim nascem os hinos