O orgulho dos herdeiros de Ramsés III

Há menos de um ano conheci Ahmed (e a tantos Ahmed no Egipto). Já cinquentenário, homem de cultura, conhecedor do país em que nasceu e vive. Conhecedor de Portugal. Ahmed é guia turístico e está habituado a lidar com gente de todas as paragens do mundo.

Não se fazia rogado. Mesmo sem conhecer a audiência, os turistas a quem mostrava o que o seu país tem para mostar, Ahmed denunciava um intenso desprezo por Mubarak, o homem que preside ao Egipto desde 1981. Saudoso dos tempos de Nasser, o pequeno guia fazia reflectir na voz e nas palavras asperas o rancor por um homem que, dizia, estava a roubar o povo há muitos anos.

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(AP Photo/Mohammed Abu Zaid – Mais imagens em The Big Picture)

Já Nasser, presidente entre 1954 e 1970, provocava-lhe o embargo emocionado na voz. As lágrimas ficavam a um pequeno passo de escorrer pelas faces. Com um sentido de humor largo, gargalhada fácil, Ahmed ficava muito sério a falar de política, fosse em Luxor, perto dos templos do tempo glorioso do seu povo, quer no Cairo, a cidade intensa onde passa muito do seu tempo.

Os protestos dos últimos dias no Egipto com milhares de pessoas na rua, em busca de um novo Egipto, devem-no deixar contente e orgulhoso. Mesmo que esta vaga não venha a ter os resultados que ele gostaria, há-de ficar orgulhoso pelos herdeiros de Ramsés III.

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