É a história do Frei Tomás, é…

Diz-se que Frei Tomás era um pregador à maneira, daqueles que dava gosto ouvir. Bem falante, com ideias ordenadas, pensamentos certinhos. Um primor das palavras que encantava os ouvidos. O problema é que, consta, a sua prática era bem diferente.

O Governo português e, em primeiro lugar, o seu chefe têm-se esmerado em seguir o prelado de outros tempos. Que é preciso poupar despesas. Que é necessário conter o défice. Que não se pode gastar tanto. Que há que contentar os mercados (esse bandido). Que os impostos sobem porque tem de ser e não há nenhum Governo que goste de os aumentar, antes pelo contrário, e se sobem é porque não há alternativa, tem mesmo de ser para equilibrar as contas…

As palavras não são bonitas no seu significado económico mas se forem bem articuladas e ordenadas podem constituir um belo discurso. O problema está na prática, que volta a contradizer o que os lábios deixam escapar.

Diz a TVI que “os membros do Governo continuam a contratar adjuntos e consultores para os seus gabinetes – e até a aumentar-lhes o vencimento – apesar do congelamento de admissões na Função Pública e da redução de contratos e avenças, conforme proposta de Orçamento do Estado apresentada este sábado, 16 de Outubro, e anteriormente anunciada pelo primeiro-ministro”.

Uma pesquisa no Diário da República detectou a contratação de assessores e adjuntos para um gabinete ministerial e duas secretarias de Estado e um aumento salarial.

É a tal coisa do Frei Tomás, olha o que ele diz e não o que ele faz. O problema é que vamos ficando fartos dos pregadores.

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É a história do Frei Tomás, é…