E depois do adeus à mina?

O ‘big brother’ global em que se transformou a operação de salvamento dos 33 mineiros chilenos sou a um tradicional ‘dejá vu’. O uso do pleonasmo é aqui propositado. Só assim se pode comparar à mega transmissão do que se passa na mina de San José.

A chegada à superfície de cada um dos estafados homens foi relatada em detalhe. Um a um, com todos os detalhes. Nome, idade, estado civil, número de filhos, doenças existentes, as funções e a biografia. São heróis, claro. Merecem todo o destaque. Quantos dos heróis de pacotilha do mundo em que vivemos seriam capazes de superar o que eles superaram? Com aquele sacrifício…

Sejamos honestos. A cobertura informativa foi feita desta forma porque prometia ser um espectáculo. Cheio de emoção, que, no fundo, é aquilo que anima as nossas vidas. Eles merecem.

A dúvida reside no depois. Depois da saída, depois dos primeiros dias, depois de contadas as histórias, depois de feitas as reportagens, os documentários. O que será depois?

Na televisão ouço falar em milagre, em homens que nunca mais serão esquecidos. Será assim?

(Também publicado em Aventar)

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E depois do adeus à mina?