O Sporting só quer ministros

O Sporting está correcto. A verdadeira questão não é ganhar jogos, muito menos títulos, a verdadeira questão dos valores sportinguistas é a indumentária e a apresentação. Classe. Nada de piercings, nem tatuagens, nem sequer calças de ganga. Na tribuna, sempre de blazer.

Assim é que se vê o verdadeiro leão. Não são aqueles que têm de transpirar, coisa de gente sem nível, de correr, de cair e levantar, de chutar uma bola. Tretas. São, sim, aqueles que se apresentam à maneira. Fato completo e sapatinho limpo. A equipa, é certo, está a fazer um esforço nesse sentido.

Em Alvalade não querem lavajões, badalhocos e afins. Querem gente de classe. Só entram ministros. Os secretários de Estado, uns adjuntos, ficam à porta. Esses carregam papéis e devem suar. O Sporting é clube de gente de bem, nada de povo, a não ser aqueles que pagam cotas. E mesmo esses…

(Também publicado em Aventar)

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O Sporting só quer ministros

Um pensamento sobre “O Sporting só quer ministros

  1. Se no futebol é assim, imagino na política

    Estive a ouvir as escutas do “Apito Dourado” recentemente tornadas públicas. Não contêm nada de novo, nada que eu já não soubesse ou suspeitasse. Continua a perturbar-me a falta de estatura intelectual, de educação, de respeito e de valores dos intervenientes, alguns deles figuras proeminentes da nossa sociedade.

    Mas o que me impressionou mais uma vez não foi o conteúdo das escutas, mas a reacção da população a elas. A “clubite aguda” – doença que prolifera em Portugal – tolda a vista de muitos portugueses e leva-os a pensar que isto só se passa com o FC Porto, e negar estes acontecimentos também dentro da “sua casa”.

    Mais grave é pensar que, se no futebol (onde o dinheiro é privado) as coisas funcionam desta maneira, imaginemos então como é na política (onde o dinheiro é dos nossos impostos). Basta ter um pouco de bom senso para perceber que obviamente será muito pior, até porque os clubes (empresas e interesses) e os árbitros (decisores políticos) são em número muito superior.

    E não nos esqueçamos que o nível dos políticos portugueses é o mesmo que o dos dirigentes desportivos. Aliás, há muito “boa gente” que desempenha ao mesmo tempo cargos políticos e desportivos. Outros há, que saltam da política para o desporto, e vice-versa.

    Nota: Obviamente que há excepções (talvez se contem pelos dedos de uma mão), de gente séria, que tem passagens pela política e pelo futebol.

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