Quem é Salt? Salt é Jolie

De repente dei por mim a pensar que Salt poderia ser melhor. E podia. No instante seguinte dei por mim a pensar que poderia ter sido pior. E podia. Bastava que o papel principal, de Salt, agente da CIA, tivesse sido interpretado por quem primeiro foi convidado, Tom Cruise. Poderia ter sido um desastre. Não porque Cruise não seja um actor de bons préstimos, apenas porque não poderia nunca mostrar as fragilidades que Angelina Jolie mostra quando veste a pele de Salt.

O mais interessante do filme não está na história, um caso de espiões e contra-espiões misturada com agentes duplos e ‘silenciosos’. O mais interessante está nas personagens e nos seus interpretes. Com Jolie à cabeça. Mas com um excelente naipe de actores que parecem saber exactamente o que fazer e como o fazer.
Mérito para Philip Noyce, que há quatro ano não trazia qualquer fita ao cinema. O realizador voltou a mostrar dar-se bem em histórias de mistério, espionagem e acção e teve aqui um bom reencontro com a actriz, depois de lhe ter dado projecção em O Colecionador de Ossos, de 1999.
Salt é um bom entretenimento. Não há excessivos moralismos, há acção q.b., uma perseguição talvez demasiado grande mas bem filmada, boas interpretações e boa realização. Mas não é um filme excelente e anda longe desse patamar. Falta alguma densidade a um argumento que necessitava de ser mais refinado, uma dose extra de emoção também vinha a calhar.
A promoção ao filme – e o respectivo trailer – perguntam quem é Salt, numa aparente referência às reais intenções da personagem – é ou não uma agente duplo? -, mas a resposta é fácil de dar. Salt, o filme, é Angelina Jolie. E é o suficiente para valer a pena.

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Quem é Salt? Salt é Jolie