A que cheira o cheiro do napalm pela manhã?

É uma das cenas mais famosas de Appocalypse Now. Na busca do inferno do Coronel Kurtz, o capitão Benjamim Willard vê-se lado a lado com o pelotão do estranho Bill Kilgore. Obcecado por surf, o tenente coronel interpretado por Robert Duvall procura manter uma ligação a casa, lá longe, demasiado longe. É uma ligação já ténue. Kilgore está tomado pela guerra.

napalm

“Cheiras isto? É napalm, filho. Nada mais no mundo cheira desta forma. Adoro o cheiro do napalm pela manhã”, diz o tenente coronel. Mesmo se não soubermos em detalhe como cheira o cheiro do napalm pela manhã, sabemos que ninguém, no seu mínimo juízo, adora o cheiro do napalm. Nem sequer pela manhã. Nem sequer Kildore.

A prova está logo a seguir. De uma forma ou de outra, todos nós conseguimos encontrar uma definição para aquilo de que gostamos. Com maior ou menos arte, sabemos explicar porque gostamos. Kilgore não. Procura a palavra para definir o seu amor pelo cheiro do napalm pela manhã, mas não consegue. É diferente. Nada mais. É apenas diferente. Nem um “é diferente de…”.

Kilgore não gosta do cheiro do poderoso combustível mas pensa que gosta. Kilgore gosta da guerra. Quando uma pequena bomba explode ali perto, nem se mexe. “Um dia esta guerra vai acabar…”, anuncia, convicto, mas sem alegria. Quando a guerra acabar, Kilgore será um homem infeliz.

Há pessoas que preferem atirar combustível em vez de apagar a fogueira.

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A que cheira o cheiro do napalm pela manhã?