Como diz o outro, a revisão constitucional é uma treta

Republica Portuguesa

Desculpem a expressão mas é sempre a mesma merda. Quando há crise económica e financeira, e porque não sabem fazer nada sem dinheiro (muito dinheiro), os partidos políticos da oposição, dentro da esfera da ‘vocação de poder’, inventam.

Fracos de ideias e a terem de alinhar com o governo ‘dos outros’ na maior parte das soluções de carácter económico, que é aquilo que verdadeiramente interessa, procuram encontrar um caminho alternativo. E da cartola já gasta sai-lhes a brilhante ideia de fazer uma revisão constitucional.

Enfim, o país até está habituado, já teve várias revisões do documento, e a última já tem uns anitos, assim sendo, porque não propor outra… Sempre se procura marcar a agenda política, coloca-se a comunicação social a falar do tema, e como é Verão e o Mundial já acabou até há mais espaço para o assunto, e entretém-se o povo.

Em rigor, as propostas mais relevantes da proposta são obsoletas. É para dar mais poderes ao Presidente da República? O PSD diz que não. É para retirar a expressão “tendencialmente gratuita” no que diz respeito à saúde e à educação? Tirem lá isso, porque num e noutro sector já há muita gente a pagar e, aliás, todos pagamos, quanto mais não seja através dos impostos.

Dizem que é para tirar a conotação de esquerda à Constituição? Tiram lá isso, afinal não aquece nem arrefece. Houve vários governos à direita e não vi que não pudessem governar por impedimentos da Lei Fundamental.

O que esta proposta agora vem mostrar é que o PSD continua sem ideias concretas para o país. Fora meia dúzia de propostas pontuais em reacção a acontecimentos também eles de ocasião, e um alinhar com o Governo nas medidas incluídas no PEC, o maior partido da oposição continua no grau zero das ideias para o futuro do país.

A ver se nos entendemos: senhores do PSD, se lerem estas linhas fiquem a saber que não quero saber de revisão constitucional nenhuma; que penso (tenho quase a certeza) que não é preciso mexer na Constituição para fazerem a vossa política caso cheguem ao poder; quero é saber das vossas ideias e planos concretos para o país e não meia dúzia de ideias vagas e dispersas. Se acham que o país está mal, façam alguma coisa. É preferível uma definição eleitoral com lesgislativas antecipadas que jogadas inúteis como esta. Não querem abrir uma crise política? Não se preocupem, a crise já está aberta. Aposto que os portugueses gostavam de ver quem a fechasse. E de caminho quem ajudasse a fazer deste um país melhor. Mas já percebi que a coisa também não virá dessa banda.

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