Que não haja confusões, Lost (Perdidos) não chegou ao fim

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Pronto, acabou. Lost (Perdidos) chegou ao fim. Ponto final numa das mais relevantes séries televisivas das últimas duas décadas. Foram mais de 100 episódios, distribuídos por seis temporadas, que entusiasmaram e decepcionaram, que agradaram e irritaram. Lost deu-nos tudo isso. Foi brilhante, como em toda a primeira temporada, foi banal, como nalguns episódios da terceira época. Mas sempre provocadora. Além de misteriosa. E intrigante.

Que não haja dúvidas. Lost não é ‘só’ uma série televisiva. É algo mais. Desde o dia em que o voo Oceanic 815, que ligava Sydney a Los Angeles, caiu numa misteriosa ilha do Pacífico, até ao último segundo, acompanhamos a vida de um grupo de sobreviventes, conhecemos os respectivos passados, uma existência atribulada naquele organismo vivo onde habitavam e uma potencial realidade alternativa, que até poderia ser a real, sendo que a ilha seria uma espécie de sonho estranho onde tinham ocorrido experiências esquisitas, onde era possível viajar no tempo, deslocar a própria ilha no espaço… E muito mais. Não viu a série e está confuso? Não é de espantar. Quem a viu esteve num estado de permanente confusão ao longo de anos. Especulou-se sobre tudo. Quem era Jacob? E o irmão? O que é a coluna de fumo? Quem são ‘os outros’? E a Dharma Iniciative? O que significaram os números com que Hurley ganhou o loto?

No final, algumas das muitas questões têm resposta. Outras não. Não surpreende. Os produtores de Lost já tinham anunciado que nem todas as dúvidas seriam esclarecidas. Como disse um deles, Damon Lindelof, em Perdidos “o mais importante é a viagem e não o destino”. Uma frase de cariz filosófico, que apenas acentua a vertente metafísica da série. Que não haja enganos. Os nomes de algumas das personagens principais – e determinantes nos episódios finais – têm uma razão de ser. Não é por acaso que há um Desmond Hume, inspirado no filósofo David Hume, ou um John Locke, inspirado noutro pensador, com o mesmo nome. Não é por acaso que uma das personagens, Jack Shepard, faz a viagem para ir buscar o corpo do pai, falecido na Austrália, de nome Christian Shepard (aproximação a ‘pastor Cristão’).

Como Hitchcock Apresenta, como Quinta Dimensão, ou como Twin Peaks, Lost ganhou um lugar na história. Não por ter tido, em 2004, o episódio piloto (o primeiro) mais caro de sempre, orçado em mais um milhão de dólares, mas por ter marcado um estilo diferente de gerir dramas televisivos. E porque, ao contrário das restantes, foi um fenómeno mundial. Ao longo dos anos foram milhares os sites, fóruns e blogues criados para analisar e comentar os desenvolvimentos de Lost, acabando por criar uma mitologia de contornos tão estranhos como alguns episódios da série.

Na realidade, Lost não chegou ao fim. Apenas não há mais episódios novos.

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Que não haja confusões, Lost (Perdidos) não chegou ao fim