Irreflecções e idiotices

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Alguma coisa está mal quando um deputado, seja ele qual for, por não gostar das perguntas de um jornalista, “exerce a acção directa e irreflectidamente retira” os gravadores de jornalistas.

Aconteceu com os profissionais da revista Sábado. E com o deputado Ricardo Rodrigues. O deputado explicou assim, com a citação indicada, o seu gesto de retirar da mesa os aparelhos de gravação que estavam a ser utilizados na entrevista que concedia à revista.

O caso aconteceu há dias. A Sábado divulgou-o ontem no seu site. Ricardo Rodrigues comentou ontem. Que se sentiu violentado pelas perguntas. É um direito. Podia, pois, permanecer calado. Podia ter virado costas. E, claro, a nobre atitude de abandonar a entrevista. Mas não. Resolveu retirar os gravadores. Num gesto que se pode classificar como um furto descarado. De forma “irreflectida”, disse.

Depois de esfriar e reflectir sobre o gesto irreflectido devolveu os gravadores? E apresentou desculpa pelo irreflectido acto? Não. Manteve os aparelhos e até os anexou a um processo que diz ter entregue em tribunal. Num país com o nível da liberdade de imprensa do tipo da Coreia do Norte até poderia ser engraçado. Em Portugal é uma postura abjecta, própria dos holigans que habitam recintos desportivos e agridem e insultam jornalistas só porque os resultados da equipa não estão a agradar.

Convém lembrar que se trata de um deputado da nação.

A direcção da bancada parlamentar do PS, da qual Ricardo Rodrigues é o vice-presidente, exprimiu solidariedade política. A uma irreflecção seguiu-se uma idiotice.

Desta forma fica caucionada pelo maior partido do país qualquer atitude de qualquer um que entenda furtar objectos de outros apenas porque se acha afrontado e violentado psicologicamente.

Deve haver qualquer coisa no ar.

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