“De Portugal? Conheces Manuel José?”

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“De onde és?”. A pergunta, em inglês ou num surpreendente espanhol, era normal. É daquelas interrogações que qualquer turista, visitante ou viajante é contemplado pelos anfitriões no momento do primeiro contacto. “De Portugal.”, respondia. “Portugal…?, Manuel Joséeee”. A reacção era imediata e quase sempre a mesma. Por vezes com algumas variantes, quase tanto como a qualidade do inglês de cada interlocutor, como “Ah, conheces Manuel José. Muito bom treinador”.

De vez em quando, um ou outro avançava com o nome de José Mourinho, o segundo mais citado, Cristiano Ronaldo, o terceiro, e Figo, para os de memória mais longa. Mas Manuel José é que era.

O homem deixou marcas no Al Ahly, clube no qual ganhou três campeonatos do Egipto, quatro Ligas dos Campeões Africanos, duas Supertaças de África e duas Supertaças do Egipto. Também deixou saudades. Os adeptos do mais popular clube do país, cujo nome significa O Nacional, gostavam que voltasse. É certo que o clube continua a dominar no país e voltará a ser campeão este ano, mas os adeptos sentem saudades do bom futebol que a equipa jogava e sobretudo querem regressar aos tempos das quatro finais africanas dos campeões, com três triunfos.

Manuel José de Jesus deixou o Al Ahly há dois anos. Mas é ainda desejado. Pelos títulos e pelo carisma. Se há uns anos um irreverente John Lenon dizia que os Beatles eram mais populares que Jesus, hoje um outro Jesus pode dizer que é mais popular que Mourinho, pelo menos num país do mundo.

No Egipto há milhões de adeptos de futebol. Lá como cá, o país pára em dia de clássico, e os jogos, as declarações, os jogadores são alvo de conversa permanente. Lá como cá. Eis como, afinal, uma bola e os seus intervenientes pode ajudar a aproximar povos e culturas.

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“De Portugal? Conheces Manuel José?”