A semelhança da Igreja com a avestruz

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A Igreja Católica, quer se queira ou não, está numa crise profunda por causa das confirmações nuns casos, suspeitas noutros, de casos de pedofilia em diversos países do mundo. Portugal incluído.

Salvo uma declaração a contragosto do cardeal patriarca de Lisboa, numa homilia da Páscoa, e uma ou outra voz de clérigos a demonstrarem desconforto, a Igreja Católica Portuguesa parece pouco interessada em abordar o tema.

É compreensível o desconforto. É desagradável que alguns pastores de almas mais não tenham feito que as alienar. É garantido que este segredo público era uma certeza em privado. Há muito os altos quadros desse Estado chamado Vaticano sabiam dos pecados internos. Talvez não de todos mas seguramente de muitos. E pouco ou nada terá feito para os erradicar.

Soam a oco os argumentos de que o actual Papa, nestas ou nas funções passadas, não conhecia ou não tinha certezas. Se havia suspeitas, denúncias, mais não teria a fazer que as mandar investigar. Se soube e não agiu foi conivente, cúmplice.

Apesar de actos de pedofilia na Igreja serem tão velhos quanto a própria Igreja, este crime repugnante nunca foi alvo de tão intensa repulsa como nestes nossos tempos. E a vergonha nunca foi maior.

Com o Papa a caminho de Portugal, com a Igreja em crise profunda e acentuada, crise que já não é de hoje, a Igreja portuguesa continua a preferir fazer como a avestruz e esconder-se. Não debate, não comenta, não defende nem acusa. Nada.

Há dias, Luís Afonso, no seu Bartoon do jornal Público, ajudava, com o seu fantástico sentido de humor e de percepção da sociedade, a descontextualizar:

Empregado do Bar: O Papa diz que os sacerdotes são ministros de Cristo.

Jesus Cristo: Dessa maneira sou o primeiro-ministro.

Empregado do Bar: Sim, que está a pensar fazer?

Jesus Cristo: Uma remodelação governamental.

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A semelhança da Igreja com a avestruz