Casamento homossexual: Um caso de (pouca) coerência

“Há uma opção e cada um é livre de optar. Eu não quis casar, fiz essa opção e tenho direitos e deveres graças a ela. O mínimo que se pode pedir a quem fez uma opção é que a respeite, estamos só a pedir coerência”. A frase, com doses aceitáveis da verdade de La Palise, é de Gonçalo Portocarrero de Almada, segundo o site da TVI, na apresentação do seu livro, de parceria com Pedro Vaz Patto, “Porque Não – Casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

Não li o livro e não creio que o vá ler. Costumo ser muito selectivo nas minhas leituras. Em todo o caso, pela qualidade da frase do autor, já se percebe a essência dos argumentos. Gonçalo Portocarrero de Almada, que é padre, diz que teve a opção de não casar e só pede que a respeitem. Não creio que alguém o vá contrariar.

Curioso é que quem pede respeito pela sua opção, não pretenda respeitar a opção de quem pretende casar. Para quem fala em “coerência”…

Já Pedro Vaz Patto preferiu, na apresentação do livro, falar da capa e contra-capa do livro (onde surgem duas Evas e dois Adões) para lembrar “como é estranho às nossas representações culturais duas pessoas do mesmo sexo”. Claro que é. Por isso é que os Cristãos não comem, nem querem sequer ver, maçãs, esse fruto símbolo do pecado, e que as serpentes, símbolos do mal, foram erradicadas deste planeta.

Por fim: “O Estado está a ir além da sua legitimidade. Esta é uma tentação totalitária”. Ah é? E qual é a legitimidade limite do Estado? E não é tentação totalitária proibir o casamento entre pessoas que pretendem contrair matrimónio?

Para mim, as coisas são simples: o casamento é uma opção de liberdade individual e social. Quem pretender fazê-lo, seja heterossexual ou homossexual, deve ter essa liberdade. Tal como quem não pretende casar. Ou quem quiser o divórcio. Ou quem pretender deixar de comer carne. É a evolução. Como diz o outro, habituem-se. Ou a liberdade, quando nasce, não é para todos?

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