Nada para além do factor humano

O primeiro gesto é para por colocar tudo numa bandeja. Cinzenta nas maior parte das vezes, mas já aconteceu encontrar de outras cores. Depois, não esquecer o telemóvel, as chaves, o casaco. Sim, é necessário tirar o cinto. Tem mesmo de ser. Humm, já agora tire também os sapatos, se faz favor. Assim fazemos. Todos. Eu e todos os outros. Passamos pelo pórtico, um de cada vez. Olhados ao pormenor, por um ou dois especialistas nestas coisas.

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Ultrapassar esta fase não significa que a componente segurança esteja resolvida. Se transportarmos uma mala podemos ser convidados a chegar ao lado. Um outro elemento da segurança, com luvas de látex pergunta-nos o que transportamos. Uma muda de roupa, afinal nunca se sabe se as malas vão chegar ao destino connosco e um homem prevenido vale por dois.

Abre a mala, coloca as mãos, mexe, verifica. Não encontrando nada de relevante, agradece. Pode seguir, boa viagem.

Lá dentro, na área reservada do aeroporto para quem tem bilhete, há mais polícias, mais ou menos atentos ao que se passa. Lembro-me de notícias recentes sobre a intenção de diversas autoridades instalarem máquinas tipo raio x, que lêem para lá da roupa dos passageiros e mostram as suas formas. Dizem que é uma maneira de verificar se os passageiros transportam objectos perigosos. Ou droga.

Há máquinas diversos, aparelhos que apitam se transportamos o mais pequeno sinal de metal, às vezes as simples pregas de uns jeans. Há pessoas para tudo. Para ver o que as máquinas indicam e para analisar o comportamento dos passageiros. Há polícias com cães.

É proibido levar um enorme conjunto de objectos para dentro do avião. Nem água, a não ser em quantidades menores que 100 ml. Muito pouco.

Todas as medidas, no entanto, são nulas quando entra em cena o factor humano. Umar Farouk Abdulmutallab, 23 anos, nigeriano, conseguiu levar explosivos para dentro de um avião, o voo 253 da Delta Air Lines, que ligou, na última noite, Amsterdão, na Holanda, a Detroit, nos EUA. A coragem de um passageiro e a falha no mecanismo dos explosivos evitou o pior. O homem diz ser da Al-Qaeda. Dos EUA diz-se que estava numa lista de suspeitos de ligações terroristas. Se é assim ou não, não sei.

O presidente dos EUA garante que serão reforçadas as medidas de segurança. Falta saber o que mais falta fazer. Despir os passageiros? Inspeccionar toda a carga ao milímetro? Podem-se aplicar todas as fórmulas de segurança imagináveis. Mas haverá sempre riscos. Em tudo há sempre o incerto. Há o factor humano.

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Nada para além do factor humano