A desgraça de Portugal é ninguém querer chefiar o Governo

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Manuela Ferreira Leite candidatou-se à liderança de um dos dois partidos “de poder” em Portugal. Ganhou as eleições. Ano e meio depois, vem dizer, à TSF, que, quando o fez, foi para ajudar o PSD num momento difícil e não propriamente para ser primeira-ministra. Disse ainda que nunca sonhou “candidatar-se a presidente do PSD para ser primeira-ministra”. Se ganhar não deixará de governar, claro.

Ora aqui está, mais uma vez, a providência a funcionar. O destino tem destas coisas. Lá estava Manuela Ferreira Leite na sua vida tranquila, pacata, e logo haveria alguém de a desencaminhar para tomar conta de um partido partido, com o objectivo de o consertar. Calha que este é um partido de vocação, e fome, de poder. O maldito do destino lá lhe atirou para a frente o incómodo de poder ganhar eleições, aquilo que, como todos sabemos, o PSD não quer. É preciso ter azar. Mas como tem sentido de Estado, Manuela Ferreira Leite aceitará a maçada de governar se os portugueses quiserem.

O azar de Portugal é ter sempre pretendentes a chefes de Governo que na realidade não o queriam ser. Acaba por ser o destino, qual malfadado GPS, a conduzi-los nesse caminho. Há uns 25 anos um ex-ministro das Finanças resolveu fazer a rodagem do automóvel e, sem saber como, ganhou as eleições. Por duas vezes. Anos mais tarde, um ex-ministro do Ambiente, que também não queria ser primeiro-ministro, chegou ao cargo em maioria absoluta depois de várias circunstâncias dentro do seu partido e no país. Agora temos a reedição das circunstâncias. Se não fosse por isto ou por aquilo, nada disto ou daquilo teria acontecido.

A nossa desgraça é mesmo não ter, como candidatos a chefes de Governo, pessoas que queiram realmente ser chefes de Governo. Talvez um dia.

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A desgraça de Portugal é ninguém querer chefiar o Governo