Um “O filho de Rambow” para descobrir

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Ao primeiro impacto, a ideia é deixar de lado. Um filme chamado “O filho de Rambow” não pronuncia nada de bom. Resistamos, pois, a essa tentação. Quantos não mereceram o mesmo rótulo e depois se revelaram belas películas?

O primeiro impacto parece querer solidificar a impressão ou talvez seja ainda algum preconceito a reinar. Vai o filme nos seus cerca de 10 dos 96 minutos que o compõem e ainda não se vislumbra uma saída. O pior cenário parece ganhar força. Regressa a tentação: o melhor é desistir. Nunca fui de deixar filmes a meio ou a caminho de meio mas o tempo ajudou a perceber que o tempo é demasiado precioso para nos colocarmos com pruridos deste género.

De repente, duas portas abrem-se. Literalmente e para o corredor de uma escola. “O filho de Rambow” ganhou nova vida. Sabem como era, quando ganhávamos créditos nas velhas máquinas que jogávamos nas romarias ou num café? Aqui foi o mesmo. Uma cena, uma trintena de segundos e o filme ganhou uma série de créditos. Uma mão cheia de ‘vidas’ que hão-de chegar ao fim.

Por não poder ver televisão, proibida pela religião que a família professa, Will Proudfoot tem de sair da sala, enquanto os colegas vêm um documentário. Por se comportar mal nas aulas, Lee Carter é expulso da sala. Ambas são situações recorrentes. Mas daquela vez os dois alunos encontram-se.

Diferentes como da água para o vinho. Lee Carter é livre, rebelde e quer fazer um filme para participar num concurso. Will é tímido e sonhador, desenhando super-heróis na Bíblia. Um e outro acabam por unir esforços numa tentativa de realizar um filme inspirado em Rambo.

Estamos em 1982 e o mundo vê chegar às salas de cinema “First Blood”, o primeiro Rambo. Bastaram umas cenas de Stallone, gravadas à socapa e vislumbradas sem querer numa televisão – que não poderia ver -, para Will fantasiar em ser o filho de John Rambo e querer salvá-lo do lar da terceira idade. Estava encontrada a raiz do filme para o concurso de curtas-metragens.

O resto é uma história de improvável amizade de dois rapazes que se sentem sós no mundo e o sonho de querer fazer aquilo que viam nos filmes.

Quem foi adolescente nos idos de 80 sabe do que falo. Este é um filme adequado para quem tem mais de 30. Para quem passou por aquelas fases, hoje estranhas, ontem tão naturais, de querer copiar Rambo, de matar todos os ‘maus’ e salvar os ‘bons’, de desejar fazer, na práticas, os milhões de filmes que construíamos – fantasiávamos – na cabeça, com banda sonora e tudo. Passando pelos vilões, até ao restante elenco e nós, sempre os heróis, que iríamos salvar o mundo das piores atrocidades.

O filho de Rambow” é uma película cheia de alma, de interpretações cheias de querer de um grupo de jovens inexperientes. Sem ter uma história brilhante, apresenta-se fresco, com um humor mordaz e uma acentuada componente nostálgica para quem viveu nos oitentas a transição da meninice para a adolescência.

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