Pela mão de Sagan

Carl_Sagan_2007

Cheguei ao espaço pela mão de Carl Sagan. Era ele que aos sábados à tarde, se bem me recordo, me pegava na mão, me dizia para não ter medo e me transportava (tipo ‘beam up, Scooty’) para o seu e o meu Cosmos.

Como eu era um miúdo e ele uma pessoa crescida, limitava-me a olhar para ele esticando o pescoço o mais que podia, para escutar cada palavra dita lá no alto da sua sabedoria. Os sábados (se era mesmo aos sábados que a RTP transmitia Cosmos) eram os melhores dias das semanas.

Era nessa altura que partia à descoberta de novos mundos, de tudo aquilo que existia no nosso planeta, na nossa via láctea, na nossa galáxia, no nosso universo. Eram viagens fantásticas. Mas demasiado rápidas. Mal descolávamos já estávamos de regresso. Mas valiam todos os minutos que nelas aplicava.

Pouco tempo depois, o mesmo Carl Sagan estava ao meu lado a sussurrar as palavras dos seus livros. Li, de fio a pavio, mais de uma vez, ‘Cosmos’, ‘O cérebro de Broca’, ‘Os dragões do Edén’ e a ficção ‘Contacto’, onde me contava uma história acerca da descoberta de vida extraterrestre.

Foi graças a Sagan que descobri o espaço, as suas belezas e os seus mistérios. Os seus grandiosos mistérios. Apesar de toda a dedicação que ele me prestou, falhei. A terrível matemática atirou-me, em perfeito KO, para fora do ringue. Tentei resistir mas foi sol de pouca dura. Como um derrotado, atirei a tolha ao chão. Assumi o desaire e abandonei. A matemática ergue os braços, em sinal de vitória para com mais um incapaz de resolver equações.

Apesar de tudo, de vez em quando, ainda sonho com o espaço. Ainda Sagan, sempre ele, a tentar levar-me, como um Buzz Lightyear, “para o infinito e além dele”.

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