O testamento vital é fracturante

Mesmo sem o admitir, o PS decidiu seguir as instruções do Presidente da República e adiar, para depois das eleições, um dos tais projectos fracturantes, a lei do “testamento vital”. Assim, a lei que garantia os direitos dos doentes à informação e ao consentimento informado fica adiada para a próxima legislatura.

Simpática como sempre, Maria de Belém Roseira diz que o adiamento não se deve a qualquer medo de um veto presidência mas ao facto de faltarem pareceres. O argumento é bom. De facto, faltam pareceres. Mas devem chegar muito em breve. Logo, o projecto poderia, dentro de dias seguir o seu curso. Na melhor das hipóteses avança depois de Outubro, após a tomada de posse da nova Assembleia da República.

A cerca de três meses das eleições, Cavaco Silva resolveu limitar os poderes do Governo e da Assembleia da República. O árbitro decidiu que o apito era coisa pouca e começou a tentar acertar na bola, primeiro, e a ditar as tácticas, depois. O presidente não quis ser incomodado até às legislativas com projectos e propostas de lei que pudessem maçar uma certa tranquilidade estival. O PS resolveu entrar no jogo. Para evitar chatices.

Depois queixam-se que Portugal é um país de pouca produtividade.

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O testamento vital é fracturante