Pobres mas alegres… ou mentirosos

Somos mesmo assim. Passamos a vida a queixarmo-nos da vidinha, das dificuldades, do dinheiro que não chega para nada, de que meia dúzia de coisas compradas no supermercado custam um balúrdio, do sol que faz, da chuva que veio. No entanto, somos felizes. Ou mentirosos.

O estudo “Necessidades em Portugal – Tradição e Tendências Emergentes” mostra um país socialmente muito frágil, pouco capaz de se mobilizar individual e socialmente. Mas com altos níveis de satisfação e felicidade.

Portanto, ficamos satisfeito com pouco e as queixas que apresentamos são apenas as necessidade de nos libertarmos de uma ou outra pequena agrura da vida. Ou somos mentirosos.

Somos assim, perfeitos na tradição dos pobretes mas alegretes. Sem ter onde cair morto mas contente por isso.

Se alguma dúvida houver, basta ver as famosas rábulas circenses do palhaço rico e do pobre. O pobre é quem tem as melhores piadas, é quem responde sempre à altura do rico, que sai dali valentemente gozado, embora, no fim, a música e a actuação final coloque os dois em pé de igualdade. É moralista mas parece ser o retrato do país. Os ricos existem e anda por ai, mas são os pobres que ficam com as piadas de qualidade e com a vida que vale a pena. Não têm dinheiro mas têm boa vida.

Nós, os portugueses, somos assim. Ficamos contentes com pouco. Ou somos mentirosos.

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Pobres mas alegres… ou mentirosos