“Traidor”: Onde o terrorismo é teatro

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“No xadrez, como na guerra, a chave para a vitória é a antecipação aos planos do oponente. Pensar duas jogadas à frente. A arte da guerra assimétrica, é mais provocar uma resposta do que infligir danos. Terrorismo é "teatro". Num teatro actua-se sempre para um público.”

“Traidor” está a meio e o líder de uma célula terrorista enuncia à personagem principal do filme, Omar, interpretado por Don Cheadle, todo o programa de qualquer movimento terrorista. Se não se souber, não existiu. Terrorismo é teatro e, portanto, tem de haver público. Este enunciado é simples e é conhecido de todos mas, volta e meia, alguém tem de o dizer.

“Traidor” é uma agradável surpresa. Estreado em Agosto do ano passado nos Estados Unidos, foi preciso esperar por Maio para chegar às salas nacionais. Chegou de forma suave, sem espalhafato, quase anónima, numa daquelas operações de distribuição sem cuidado e para despachar refugos, que em nada ajudam um filme a ganhar público. Aliás, que em nada ajudam as salas de cinema a ter mais frequentadores.

Terceiro filme realizado por Jeffrey Nachmanoff, que também assinou o argumento, a partir de uma história de Steve Martin (sim, o comediante), esta é uma película de história simples sobre um agente duplo infiltrado numa célula terrorista islâmica, com o objectivo de chegar aos seu líder.

Não se esperem discursos ou frases moralistas sobre a vida dupla de agentes duplos ou sobre os malefícios e as razões ou falta delas para os actos terroristas, ou para o ódio que grupos islâmicos nutrem pelos EUA. O filme não segue, e bem, por essa via. Está lá tudo, claro, mas num plano aceitável. E conscientemente sério. É para ser descodificado entre linhas.

Com Don Cheadle, sobretudo este, encarnando mais uma personagem complexa, e Guy Pearce em bom plano, “Traidor” consegue obter a nossa atenção e assume-se como um bom entretenimento.

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“Traidor”: Onde o terrorismo é teatro