A informação na era dos tablóides

Aconteceu tudo na quarta-feira. Poderia ter sido um dia ou dois mais cedo ou mais tarde. Poderia ter sido na semana passado ou apenas ocorrer na próxima. Em rigor, a questão temporal é aqui pouco relevante. O essencial nesta matéria é apenas a tendência crescente na comunicação social, mesmo na dita de referência ou “séria”, como se todos os meios de comunicação não tivessem de ser sérios.

A verdade é que a tabloidização, se me permitem esta palavra, não é nova. É algo que nem sequer é recente. Tem décadas. Por isso, a questão deve ser desmistificada.

O problema está mais na circunstâncias do que é notícia de forma mínima. Os exemplos de quarta-feira servem para ilustrar. São 10h20 e o Diário Digital revela ao mundo, em português, que, em Inglaterra, “um pastor alemão chamado Daz Lightning bateu o recorde do latido mais alto”. Foram 108 decibéis. É bastante, sim. Mas vale a pena contar isto ao mundo? Numa publicação sobre cães e animais domésticos, sim. No Diário Digital, creio que não.

Por esta altura já todo o mundo sabia e tinha lido ou visto Barack Obama a dar cabo de uma mosca numa entrevista televisiva. Em relação a Obama só nos falta mesmo saber a tonalidade dos seus traques. Quase na mesma altura descobria embasbacado que uma jovem de 15 anos ganhou o campeonato nacional de mensagens de telemóvel dos Estados Unidos da América. Ganhou 36 mil euros.

Para trás tinha ficado uma outra informação, mais “séria”. O segundo semestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano foram de subida significativa na procura de informação. Em grande parte devido à crise, houve mais pessoas a procurar e a consumir informação. No entanto, os jornais entraram e permanecem num clima de acentuada crise. Este é um fenómeno que faz pensar.

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A informação na era dos tablóides