Gordos de todo o mundo, uni-vos

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(Porque hoje é o Dia da Terra)

Juro que não sei como reagir. Não sei se devo apenas ficar triste, se me indignar, mostrar-me resignado, encolher os ombros num “que se lixe” muito português ou apenas suspirar de forma leve e seguir em frente como se nada fosse.

Há anos – muitos anos – que advogo um consumo cuidadoso da água, faço a separação do lixo e envio o papel para a reciclagem (às custas disso tenho o escritório em pantanas). Apesar disso, agora acusam-me de poluir mais do que devia. Não basta ter peso a mais, problemas em encontrar roupa à maneira e olharem-me de lado, supostamente implico maiores custos para o depauperado serviço nacional de saúde, como arrisco ser apelidado de poluidor e de contribuir mais que os anorécticos para o aquecimento global. A mim, sempre preocupado com o ambiente.

Uns senhores cientistas da London School of Hygiene and Tropical Medicine, certamente com pouco que fazer, estudaram a questão e concluíram que nós, os largos, deixamos uma pegada carbónica maior que os magricelas. Por duas razões principais: ingerimos mais paparoca, em teoria, e implicamos maior dispêndio de energia nos transportes.

Como os anafados comem mais, isso implica maior necessidade de produção de alimentos, dizem os senhores cientistas. Pois fiquem sabendo que conheço muitos magrotes que comem que nem uns alarves e nada de adiposidades. Por outro lado, tenho de me resignar ao argumento de que os pesaditos implicam maiores gastos de combustível para serem transportados. Mas, que diabo, não há-de ser assim nada de especial.

O problema, referem os especialistas, é que o número de obesos está a aumentar em todo o mundo. Sobretudo na China.

Pois, da minha parte, fiquem sabendo que farei quase tudo em prol de um mundo melhor (anda aí muito parvalhão que nem sequer pensa nisso) mas nunca irei ficar magrinho. Está na minha natureza. Gosto de comer e pronto. “É o que a gente leva desta vida”, comentam. Digo que sim. Às vezes reforço com um “nem mais” e sigo o meu caminho. Como diz o provérbio: “a magro não chego e de gordo não passo”.

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Gordos de todo o mundo, uni-vos