Os limites da arte ou a arte sem limites

Stelarc_orelha

Não façamos confusão. Stelarc é um artista. É um performer. Não é daqueles que coloca uma série de artefactos e resíduos orgânicos no chão e chama àquilo arte. Se assim é, eu sou um grande artista, a acreditar na fantástica apresentação do meu saco do lixo.

Não. Stelarc é mesmo um artista. Não é jovem em idade mas muito jovem em determinação e imaginação.

Apresentemos o senhor. Stelios Arcadiou nasceu em Limassol, em Chipre, numa obra do acaso, porque onde ele se sente bem é na Austrália. A sua arte, vamos chamar assim, suporta-se em perspectivas de futuro, em concreto no corpo futurista. O homem, ou será o artista, pensa que o corpo humano é obsoleto e, portanto, pretende ciberorganiza-lo. Este organiza-lo do ponto de vista cibernético deve ser entendido numa dupla perspectiva de ‘criar’ novos órgãos e arranja-los de maneira diferente.

Já foi o principal responsável por uma unidade de investigação de artes digitais, na Nottingham Trent University. Agora, aos 62 anos, tem um amplo projecto em desenvolvimento. Esteve recentemente no Festival Internacional de Ciência de Edimburgo, onde apresentou uma “terceira” orelha. Sim, implantada, de forma artificial, através de cirurgia no braço. Tal e qual a foto documenta (também aqui não façam confusão, a imagem é da National Geographic e eles levam tudo muito a sério). Para breve está a projectar instalar um microfone no mesmo local, para permitir aos utilizadores da internet interessados “ouvir” através da sua orelha. Fantástico.

Sobre o projecto de Stelarc, Michael Smyth, director do festival escocês, afirmou que “talvez estejamos a vislumbrar o futuro aqui, onde a tecnologia fica incorporada”. Literalmente, acrescento eu.

“Todos carregamos telefones portáteis para todo o lado mas, subitamente, quando quebramos a barreira da pele, já é assunto”, completou. Não está mal visto, não senhor.

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Os limites da arte ou a arte sem limites