A guerra no umbigo

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Eram imagens impossíveis desde que, em 1991, o presidente dos EUA, George H. W. Bush (pai do ex-presidente), proibiu a cobertura jornalística do regresso dos mortos de guerra norte-americanos. O objectivo prioritário era impedir a reacção da opinião pública do país contra a participação em conflitos espalhados pelo mundo. Enfim, impedir que os vulgares cidadãos da nação, habitualmente alheios ao que se passa no resto do planeta e muito atentos ao seu umbigo, passassem a perceber que a guerra já estava no respectivo ‘belly button’.

Apesar de alguns protestos de órgãos de comunicação social, mas não demasiado intensos, uma vez que a maioria fica inchada de tanto patriotismo, só muito mais tarde o povo percebeu o que estava em jogo. Só com as guerras no Afeganistão e Iraque e os seus sucedâneos começaram a entender que uns milhares de soldados americanos morriam no campo de batalho. Não viam os caixões mas não tardou até que eles lhe entrassem pelos olhos. Porque morria um familiar, um amigo, um amigo de um amigo. Aquilo, lá longe, estava a fazer mexer a rodilha que têm no abdómen.

O novo presidente achou que era tempo de acabar com o absurdo de impedir um acto informativo. Agora são os familiares dos mortos que decidem aquilo que o Governo decidia por eles. No dia 5 de Abril, a chegada do cadáver do sargento Phillip Meyers foi o primeiro em muitos anos a ser coberto pela imprensa. Só por isto, já é notícia.

A imagem é do The Big Picture, do Boston Globe. Mais fotografias podem ser vistas aqui.

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