Mea culpa a 30 por cento

Foi preciso que fosse o irmão a dizer para Souto Moura, ex-Procurador Geral da República, começar a desconfiar aquilo que todos já desconfiamos há muito. E que disse o arquitecto Eduardo Souto Moura ao irmão José? Disse que o processo Casa Pia “vai ter dois condenados: um é o Bibi, o outro sou eu” (o eu é ele, Souto Moura).

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Assumindo parte da responsabilidade pelos aspectos menos positivos no processo de pedofilia da Casa Pia, cerca de 30 por cento, o jurista atribuiu a restante responsabilidade às “reacções de grupos com poder”. É o cenário das pressões visto de uma outra janela.

Convidado como orador de um serão do Centro Académico de Braga (CAB), na sexta-feira, e citado ontem pelo jornal “24horas”, admitiu que a justiça em Portugal “é lentíssima, é um horror, o verdadeiro problema dos tribunais é a falta de celeridade”.

Também não é novo e aqui já nem se trata de um simples desconfiar. Aqui temos todos a certeza. E a culpa é de quem? Suspeito que será das leis, feitas por políticos, um dos tais “grupos de poder”. Mas os elementos do mundo judicial, desde os advogados, juízes e funcionários judiciais não estão, também, isentos de responsabilidade.

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Mea culpa a 30 por cento