Até os moralismos têm limites

Bem sei que a crise económica deixou abalados os alicerces do liberalismo e fez um rombo no poderoso porta-aviões do mercado livre e sem regras de intervenção estatal. Mas, descansem, não é da crise que aqui pretendo falar. Bom, de certa forma, até é.

Revolta-me o indecoroso acto de um director de uma escola de Cambridge, em Inglaterra, que intimou uma professora a retirar as fotografias que tinha num site de promoção de modelos.

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A vida está difícil, mesmo em Inglaterra ou sobretudo em Inglaterra, habituada a outros estilos de vida menos austeros, e Natasha Gray, de 30 anos, professora, ganha uns cobres extra como modelo. No site da agência para a qual trabalha colocou fotografias suas em lingerie. Aparecia, claro, só com a lingerie vestida. Não creio que qualquer empresa fabricante tenha a mínima vontade que os modelos que promovem este produto apareçam vestidas da cabeça aos pés, quem sabe com uma ‘burka’, e, eventualmente, com um gorro russo.

O director da escola quer levar o assunto a uma reunião de pais. Não sei se as fotografias serão analisadas uma a uma e se o encontro é apenas para os encarregados de educação do sexo masculino.

E não. Também não sei como é que o dito senhor teve conhecimento das fotografias de Natasha, que agora arrisca ficar sem o part-time ou, em alternativa, deverá limitar-se a fazer de figurante em anúncios de serviços de chã.

A professora, valha-nos isso, não deve ser despedida. Ainda bem. Até os falsos moralismos têm limites.

Se fosse estudante naquela escola, preferia ser aluno de Natasha Gray que de qualquer director invejoso. Garanto que estaria com muito mais atenção à professora.

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