O cachet de um manifestante

Quanto vale um manifestante nos dias de hoje? Vale mais que há alguns meses. E muito mais que há uns anos atrás. É o que me dizem. O seu custo na economia real subiu de tal forma que não é necessário passar pelo crivo mais ou menos apertado do casting, seja político, seja de outra origem, para poder participar num protesto.

Hoje, os manifestantes são uma espécie de “estrelas” dos movimentos sociais. Servem para agitar bandeiras, gritar palavras de ordem, cantar e muitas outras coisas. Sobretudo quando as câmaras da televisão estão ligadas. Se a emissão for em directo, tanto melhor.

manifestacao

No passado, agentes de grupos sociais mais ou menos influentes ficavam zangados se não fossem chamados ou avisados de que iria ocorrer uma manifestação. Queriam ir a todo o custo e ficar de fora era como se fossem desprezados. Hoje, perguntam quanto vale a presença. Fazem como aquelas outras pessoas mais ou menos conhecidas que gostam de se fazer pagar apenas para aparecer numa qualquer festa, como se as pessoas não célebres ficassem mais próximas do céu só por partilhar o mesmo espaço.

Os manifestantes modernos são assim. Já não se atropelam. Já não levam ofertas para a população que os há-de olhar de frente ou de esguelha mas que dificilmente os vai ignorar.

Há aqueles que aderem porque acreditam nos objectivos do protesto, há os que vão porque sim e aqueles que aceitam alinhar, com um “está bem” de encolher de ombros, a troco do cachet.

Já não levam ofertas, querem ser eles a receber. Nem precisa de ser em dinheiro. Têm é de ter as deslocações pagas e as refeições incluídas. Pelo menos. As t-shirts e os bonés são à parte.

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O cachet de um manifestante