O passarinho está em todo o lado

Está em todo o lado. Não se consegue evitar. O Twitter, esse passarinho, chegou há três anos (21 de Março de 2006) de mansinho e a piar baixinho. Aos poucos foi conquistando mais utilizadores para o seu ninho. O grande momento chegou o ano passado, com personalidades dos espectáculos e da política, com Obama à cabeça, a criar o seu próprio espaço na rede social.

twitter

A coisa foi espalhando por todo o lado. Os jornalistas acharam piada e isso foi meio caminho andado para toda a gente ficar a saber da existência deste serviço, num sinal de que a comunicação social tradicional ainda tem um certo peso. Foram milhares de notícias, reportagens, apontamentos permanentes, em grandes e pequenos jornais e revistas e televisões e rádios e em todo o lado. O fenómeno estava criado. Espalhou-se como um vírus pelos blogues e sites sociais.

De repente toda a gente sabia que o Twitter existia, mesmo que não fizessem ideia (e muitos ainda não fazem) do que é ou para que serve. Num ano cresceu 1400 por cento, muito acima de qualquer outra rede social na internet. Não sei se é apenas uma moda ou uma tendência que veio para ficar. Pelo menos durante algum tempo, porque o “veio para ficar” no reino da Internet é sempre algo muito pouco perene.

A Twittermania está em todo o lado e Portugal não foi excepção. Os lusitanos aderiram de tal forma que o passarinho tem hoje uma larga coutada de portugueses por lá instalados. Portugal está entre os países em que mais aderentes se registaram nos últimos meses, li há dia no Twitter Blog, um dos blogues criados para informar e opinar sobre o serviço, que apenas agora começa a chegar ao ponto em que parece procurar, e encontrar, fontes de financiamento.

Cheguei ao Twitter, com a minha primeira conta, há mais de um ano. Não percebi a razão de ter algo online onde dizer a quem me seguisse – a fórmula social do Twitter é comunicar com os nossos seguidores e quem nós seguimos -, no limite de 140 caracteres, onde estava e o que estava a fazer. Para isso, pensava, havia o correio electrónico, as SMSs, a própria conversa normal cara a cara ou voz a voz, por telefone. Para quê mandar piadelas? Para quem mandar piadelas? Deixei cair a conta.

Abri uma nova há uns meses atrás. Foi levado pela onda, claro. Mas também porque finalmente havia mais pessoas a poder seguir as coisinhas que por lá vou dizendo. É claro que podem não ligar patavina ao que ando a dizer, mas pelo menos digo. Desabafo. Alerto. No futuro sempre posso gritar: “Eu avisei. No Twitter. Não estiveram atentos? Quem não leu, que tivesse lido. Que me seguisse no passarinho”. E fica tudo dito. Assim, quem não estava lá terá de enfiar o rabinho entre as pernas.

Hoje, o Twitter é mais que um “onde estou” e “o que estou a fazer”. É fonte de informação, é uma troca de ideias e conversas, sem ser um ‘chat’, é uma troca de links, é rápido e até dá para pedir hambúrgueres, como no caso da jornalista Alberta Marques Fernandes.

Acima de tudo, como li há dias, é um bar. Mas também neste estabelecimento é preciso beber com moderação e conversar com respeito pelos parceiros de falatório.

Agora vão lá, à vossa vida, mandar umas piadelas.

P.S. A propósito da Twittermania, a equipa do programa de humor Supernews, dos EUA, lançou um excelente filme de animação sobre o excesso de piadelas. Vale bem a pena. Depois não digam que não avisei.

Anúncios
O passarinho está em todo o lado