Jade Goody morreu durante noite, a coberto dos holofotes televisivos

O caso Jade Goody é uma circunstância dos nossos dias hiper-mediáticos e de uma presença sufocante da televisão na existência da vida simples de um dia-a-dia. Desde há cerca de seis anos que a jovem britânica vivia iluminada pelos holofotes das câmaras da televisão, na sequência da participação em diversos reality  show, da Grã-Bretanha e da Índia.

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O jornal The Guardian conta hoje que Jade deixou de ser uma “desgraça nacional” para se transformar num “tesouro nacional”

 

Jade Goody já só respirava televisão quando lhe foi diagnosticado um cancro do cólo do útero fatal. Soube da notícia em pleno programa televisivo. Foi assim que viveu, de forma demasiado pública, momentos dramáticos que deveriam ser íntimos e privados. É certo que essa foi uma escolha de Jade, participante de um formato televisivo absurdo e sem qualquer valor acrescentado para os espectadores, mas que milhões de pessoas preferem seguir.

De odiada, pelo seu racismo radical, ofensivo e até violento para com uma colega indiana do programa, passou a admirada pela forma como geriu os últimos meses de vida, anunciando aceitar mostra-los a todos os que quissessem vê-los em benefício financeiro dos dois filhos.

Morreu hoje. O seu momento final não foi transmitido pela televisão, como se chegou a equacionar. Não foi transmitido porque ela não quis. Tenho a certeza de que se quissesse, haveria por certo um rol de estações de televisão interessadas em o fazer.

Em matéria de ética, produtores e estações de televisão não devem muito aos gananciosos especuladores bolsistas e administradores financeiros que levaram o mundo ao ponto em que agora estamos.

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Jade Goody morreu durante noite, a coberto dos holofotes televisivos