O caso AIG: Não há moralidade e não comem todos

As lições desta crise financeira e económica parecem continuar a ser difíceis de apreender, sobretudo nos EUA, onde o liberalismo atingiu o seu estado de suprema degradação moral. Uma das mais importantes seguradoras norte-americanas mas com realidade global esteve, no segundo semestre do ano passado, há beira da falência. Presumo que tenha chegado a esse ponto não graças a bons gestores e excelentes funcionários de topo mas sim devido a um enorme conjunto de erros e decisões desastrosas.

Aconteça o que acontecer o mal está feito. Ter feito estes pagamentos foi desastroso e imoral. Se hoje o mundo está como está, muito se deve à ganância e à perfídia de muitos. Curiosamente, dos mais endinheirado, para quem muito é ainda pouco.

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Cartoon de Daryl Cagle para a MSNBC

Para evitar uma falência de consequências globais, o Governo dos EUA decidiu acudir a AIG. Até ver injectou cerca de 180 mil milhões de dólares na empresa, assumindo 80 por cento das acções.

Com este cenário de fundo, há aspectos medonhos neste processo mas fiquemos por aqui, um conjunto nada reduzido de funcionários de topo e executivos da AIG receberam 127 milhões de dólares de bónus e prémios. Por razões contratuais, diz a administração. Deve ter sido pelo trabalho ‘impecável’ que fizeram, digo eu.

Obama já mostrou ter ficado indignado. O presidente executivo (leio no Público) da AIG, Edward Liddy, afirmou perante o congresso que pediu aos quadros dirigentes que devolvam "pelo menos metade" dos bónus recebidos. O secretário de Estado do Tesouro, Timothy Geithner, avisou já que vai tentar obrigar a AIG a devolver os 165 milhões de dólares que atribuiu e “vai deduzir dos 30 mil milhões de dólares de ajuda que a AIG iria receber agora do Governo uma quantia igual à dos pagamentos feitos aos funcionários”.

Aconteça o que acontecer o mal está feito. Ter feito estes pagamentos foi desastroso e imoral. Se hoje o mundo está como está, muito se deve à ganância e à perfídia de muitos. Curiosamente, dos mais endinheirado, para quem muito é ainda pouco.

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O caso AIG: Não há moralidade e não comem todos