Porque é que John Lasseter, homem do cinema de animação, é uma das personalidades mais influentes do mundo, na opinião da Newsweek?

John Lasseter, uma das mentes criativas da Pixar, realizador e argumentista de "Toy Story", ocupa a 35ª posição numa lista de 50 personalidades mais influentes do mundo, na opinião da revista Newsweek. Lassiter destaca-se por ser a única figura do mundo do entretenimento.

Na edição deste ano do Festival de Veneza, John Lasseter vai receber um prémio de carreira “por ter revolucionado o cinema de animação”. Bem feito!

John_Lasseter_1503

A lista é encabeçada por Barack Obama e composta sobretudo por políticos. A Newsweek elegeu aquilo que considera ser a "elite global", uma lista de 50 pessoas influentes e poderosas de todo o mundo. O presidente eleito dos Estados Unidos está no topo, seguindo-se outros políticos como Nicolas Sarkozy, Angela Merkel ou Kim Jong Il. Em 35º lugar, logo a seguir a Steve "Apple" Jobs, surge o homem da Pixar, John Lasseter.

A revista elogia-o como "o guru da animação da Pixar" e destaca que Lasseter continua a dominar as bilheteiras mesmo em tempo de crise. Atribui-lhe o feito de ter elevado os desenhos animados dos fins-de-semana de manhã, à categoria sem idade da animação.

O ano de 2008 foi muito bom para a Pixar, que tem tido muitos mais anos bons que maus. Com "WALL-E" e "Bolt" nomeados para a categoria de melhor filme nos próximos Globos de Ouro e com a Associação de Críticos de Los Angeles a votar pela primeira vez um filme de animação ("WALL-E") como o melhor filme do ano, Lasseter tem fortes razões para sorrir.

Como tudo aconteceu? John Lasseter nasceu na Califórnia e adorava desenhos animados. Adorava, não. Adora! Ao ponto de fazer deles a sua vida num emprego perfeito. E gosta de brinquedos, que colecciona, e de forma séria. Com cinco filhos, deve ser bonito… Hoje é o director criativo tanto da Pixar quanto da Disney (que comprou a Pixar em 2006). "WALL-E" foi produzido pela Disney/Pixar e "Bolt" pela Disney.

A Pixar nasceu a sério com o seu "Toy Story" em 1995, embora tivesse sido formada alguns anos antes, em 1986, por Steve Jobs, o patrão da Apple, que comprou a divisão de animação digital da Lucas Film. Nove anos depois dessa aquisição, "Toy Story" era a primeira longa metragem e tornou-se o filme mais lucrativo do ano.

A "Newsweek" destaca que os filmes da Pixar fizeram, no total e em todo o mundo, 3,1 mil milhões de euros e é um dos gigantes de Hollywood, além de serem responsáveis por um conjunto de novas técnicas, usando sobretudo a animação 3D e CGI.

Em 2006, quando a empresa festejava 20 anos de vida, a Disney comprou-a por 5,2 mil milhões de euros. Todo o mundo do entretenimento, e sobretudo os fãs da animação, ficaram preocupados. Afinal, a Disney estava a anos luz da Pixar. Era um gigante, claro, mas não deixava de ser uma sombra do que tinha sido no século XX. Surgia como uma entidade demasiado antiquada, conservadora e pouco ou nada arrojada nas técnicas e nos argumentos.

John Lasseter não participava desses receios e, quando da estreia de "Ratatui", o primeiro filme a sair dos dois estúdios, lembrou que quando a fusão foi negociada, tudo foi pensado para proteger a Pixar, "porque tem uma cultura criativa única e não queríamos ver isso mudar. E não mudou, a Pixar está exactamente da mesma forma. O que mudou, e para melhor, foram os estúdios Disney". Desta forma, a Disney alterou o seu estilo de funcionamento, devolvendo a pasta das grandes opções aos artistas e retirando margem de manobra aos executivos. A gestão criativa regressava a quem nunca a devia ter perdido.

Hoje, o cinema da animação é poderoso e criativo. Graças à Pixar e às demais empresas que apostam no sector e criaram sucessos como "Shrek", da Dreamworks, "Ice Age", da BlueSky e da Fox. O cinema de animação é o único que de facto é para todo o público e isso ajuda ao sucesso destes produtos.

Na edição deste ano do Festival de Veneza, John Lasseter vai receber um prémio de carreira “por ter revolucionado o cinema de animação”. Bem feito!

Anúncios
Porque é que John Lasseter, homem do cinema de animação, é uma das personalidades mais influentes do mundo, na opinião da Newsweek?