O marketing que mexe com a nossa saúde

William Haseltine é cientista, médico, foi professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, investigador, fundou diversas empresas relacionadas com o sector da saúde e farmacêuticas e é o presidente de uma fundação com o seu nome e que desenvolve intervenções nas áreas da ciência e das artes. É ainda um consultor procurado por diversas entidades.

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Serviu esta apresentação para enquadrar o homem que afirma, na revista The Atlantic, que o sector farmacêutico está a ser controlado pelo marketing. Pegando nas diversas negociações em curso entre gigantes do sector, com vista a aquisições e/ou fusões, envolvendo entidades como a Merck, Roche, Pfizer, entre outras, Haseltine reflecte sobre as causas da crise nas farmacêuticas.

Numa época em que se descodificou o genoma humano, em que sabemos cada vez mais sobre os vírus e as bactérias que nos rodeiam, em que há, no entanto, tanto mais para descobrir, as empresas do sector vivem, desde há alguns anos, um período de crise estratégica e perdas financeiras. Pior, há centenas de ideias para medicamentos novos e muitos deles estão prontos e preparados para chegarem ao mercado.

Haseltine diz que esta circunstância não é “um fracasso da ciência mas antes do contexto em que a ciência é praticada”. Porque o processo de desenvolvimento de medicamentos é longo, árduo e durante toda essa etapa, um candidato é avaliado de forma permanente no seu “potencial mercado”. Em grandes empresas, diz, “produtos que são tecnicamente promissores são eliminados se o seu marketing potencial é visto como pequeno”.

O artigo, a avaliação de Haseltine e o conhecimento que temos do funcionamento das grandes empresas farmacêuticas, que até John Le Carré utilizou para o romance “O fiel jardineiro”, só nos podem deixar preocupados.

A saúde é um fantástico negócio, que permite lucros em diversos níveis e para muitas entidades. É uma realidade que temos de aceitar. Mas o seu foco deveria ser sempre o público, os doentes. A importância dos medicamentos deveriam ser avaliada pelo interesse que têm para os seus consumidores e não pelo seu eventual potencial de marketing.

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