A relação entre os políticos e os restaurantes

Confesso que nutro uma relação de profunda desconfiança em relação à qualidade de grande parte dos políticos nacionais e mundiais. A maior parte dos actuais líderes da Europa não chega aos calcanhares daqueles que o tempo deixou para trás, mal grado os muitos erros que também esses cometeram. São os tempos e os povos que determinam os líderes e não temos sido muito felizes com as colheitas actuais.

O Presidente da República, um dos chefes deste estabelecimento, preocupado com a clientela, já alertou que o serviço não é bom, ao falar recentemente da necessidade de ter “qualidade nas leis”. Não basta, pois, fazer os pratos, é preciso que o molho seja saudável e a apresentação digna.

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Em Portugal, o panorama não é animador. Por um lado, o povo não gosta de ver a classe política bem paga e acha sempre que aquilo que recebem até é demais para aquilo que fazem. No entanto, pretendemos sempre um bom serviço, mesmo que não gostemos das gorjetas que os políticos auferem como compensação de um ‘emprego’ pouco entusiasmante em matéria salarial. Por outro, como os cargos políticos não são bem remunerados, aqueles que deveriam ter uma presença mais constante na vida política nacional, nem querem ouvir falar disso. Preferem o descanso de uma vida bem paga e isenta de críticas constantes e do escrutínio popular de quem tem de dizer sempre mal de tudo e bem de muito pouco.

Somos uns perfeitos descontentes mas nem queremos sonhar com a possibilidade de pagar mais para sermos melhor atendidos.

Resulta isto numa Assembleia da República bem pior que um carioca de café: muito fraquinha. Sejamos justos: Nem todos os funcionários daquela casa são fracos, mas a maior parte é um desconsolo. Vê-se que faltou às aulas de formação profissional. E não apenas no que à questão da utilização do vernáculo diz respeito. Penso mesmo que uma parte deles nem sabe o que é um ‘caralho’.

O Presidente da República, um dos chefes deste estabelecimento, preocupado com a clientela, já alertou que o serviço não é bom, ao falar recentemente da necessidade de ter “qualidade nas leis”. Não basta, pois, fazer os pratos, é preciso que o molho seja saudável e a apresentação digna.

A questão está, em grande parte, na forma como se fazem leis. Exemplos? O novo Código do Trabalho entrou em vigor mas muitas das suas normas ainda são regidas pelo anterior, porque faltam diversas portarias regulamentares. Não sei se por falta de tempo ou esquecimento. Isto, convenhamos, não é trabalho decente. Nas obras de construção civil costumava dizer-se que era ‘trabalho de sapateiro’. Uma chatice se houver casos a chegar aos tribunais.

Há dias, um administrador de uma grande empresa, com negócios em diversos sectores e em várias zonas do país, foi condenado – sublinho o condenado – a pagar cinco mil euros – sublinho a quantia de cinco mil euros – por um acto de corrupção num processo de largos milhões. O homem foi condenado mas saiu do tribunal sorridente e satisfeito consigo próprio e contente com a justiça, que não pode ir mais longe. Não porque não quisesse mas porque a lei não deixou.

São as leis que temos, feitas pelos políticos e deputados que temos e queremos pagar. A culpa é nossa.

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