O Rocky Mountain News fechou! Quem se segue?

Com vídeo

Não foi o primeiro e não será o último. Foi apenas mais um. Mas não um qualquer. Não foi o New York Post, o New York Times, nem o Los Angeles Times, nem sequer o Washington Post ou a Time. Desta vez foi o "Rocky Mountain News". Quem? O "Rocky Mountain News", jornal da cidade de Denver. Saiu pela última vez ontem, sexta-feira, 27 de Fevereiro.

rocky_newspaper A última primeira página

A cerca de dois meses de festejar 150 anos (fundado em Abril de 1859), o mais antigo jornal do estado do Colorado, nos EUA, foi apenas um dos vários jornais norte-americanos que encerraram nos últimos meses em consequência da crise económica, refere o Público.
“Adeus, Colorado” diz a última primeira página do jornal, que esteve à venda durante cerca de três meses e não resistiu à crise e à Internet. Houve um interessado mas quando verificou os problemas económicos que teria de enfrentar, desistiu.

“A cidade de Denver já não pode suportar dois jornais. Estas não são de certeza boas notícias para vocês, e certamente que não são boas notícias para Denver”, disse Rich Bohene à redacção do jornal. Desde 2000 o jornal foi distinguido com quatro prémios Pulitzer, um de reportagem e três de fotografia.

Problema geral

Esta é uma situação que muitos jornais pelo mundo têm enfrentado mas os EUA têm sido dos países mais afectados, graças à crise económica e financeira que veio não provocar mas acentuar o período difícil que os meios de comunicação social, e muito em particular os jornais, estão a enfrentar. Nos últimos anos houve redução de vendas em banca, fortes quebras de receitas de publicidade, de crédito e liquidez.

O "The Post Intelligencer", de Seattle, pode fechar em breve, diz o Público citando a CNN. Dois jornais de Detroit, a capital automóvel dos ‘states’ decidiram parar a distribuição ao domicílio durante alguns dias da semana. Dois jornais de Filadélfia, com o mesmo dono, abriram falência.

"The San Francisco Chronicle", fundado em 1865, perdeu mais de 50 milhões de dólares (39.2 milhões de euros) em 2008, e em 2009 a situação económica está a piorar. Sem surpresas. O que surpreende é que se não conseguir sobreviver à crise, a cidade que Bullit celebrizou fica sem nenhum jornal pago. O “Examiner” é gratuito e consta que também enfrenta dias difíceis.

Não é novidade que a “senhora cinzenta”, como era e é apelidado o "New York Times", está a tentar sobreviver. Terá de pagar mais de 400 milhões de dólares (313,8 milhões de euros) de dívidas. Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, reforçou recentemente a sua posição accionista, entrando com uma soma gorda. Não foi ainda suficiente. O jornal teve que hipotecar a sua nova sede (construída em 2007). Os tempos em que dominava a cidade e lhe permitiram “dar” nome a uma praça, a famosa “Times Square” (localização de uma antiga sede) já lá vão.

A "The Tribune", proprietária do "Chicago Tribune”, do "Los Angeles Times", do "Baltimore Sun" e de muitos outros títulos, pediu falência em Dezembro. As suas edições continuam a sair. Falta saber até quando. A “Newsweek” alterou a sua estratégia, o público-alvo e o tipo de jornalismo, tentando resistir.

Soluções?

Todos estes casos, entre outros, reforçam a ideia de ser necessário encontrar respostas urgentes para o problema, que já não é novo, do futuro da imprensa. Seja em papel, pago ou gratuito, seja online.

É certo que a redução de leitores em papel foi compensada, até com ganhos, pelo incremento dos leitores online. Continua é por redolver a forma de transformar esse aumento de leitores e audiência em receitas. As soluções de publicidade experimentadas até aqui ainda não permitiram uma resposta e o acesso condicionado a assinantes a determinadas áreas dos sites dos jornais não teve resposta positiva por parte dos consumidores, pouco habituados a pagar pelo acesso a informação na internet.

Walter Isaacson, da "Time Magazine" escreveu que as revistas e os jornais devem seguir o caminho do sistema de micropagamentos. Os leitores pagariam alguns cêntimos por um artigo, um pouco mais para aceder à edição do dia, e alguns dólares para um passe mensal.
Outros indicaram a possibilidades de os jornais se estruturarem como fundos não lucrativos, suportados por patronos e mecenas, deixando assim de depender das vendas ou da publicidade. Passavam era a depender de outros poderes.

Na excelente, embora desanimadora, reportagem vídeo de Matthew Roberts (ver abaixo), Laura Frank, reporter de investigação do “Rocky Mountain News”, lança uma questão para Denver: “Se o Rocky morrer, quem vai fazer as perguntas? Porque os blogues não as fazem”.

Vídeo “Final Edition”:

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