Continuo a não entender o negócio CGD / Fino, mas o problema deve ser meu

O problema deve ser meu. Aliás, só pode ser meu. Na realidade nunca fui grande bisca em questões de contabilidade e economia. Vai dando para saber gerir as contas do dia a dia, para as pequenas coisas, as corriqueiras manobras financeiras de comprar as mercearias, uns trapitos quando é possível e avaliar da possibilidade de fazer um jantarito fora de vez em quando.

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Só pequenas coisas, como se vê. De grandes negócios não percebo nada. Tenho dificuldade em entender o que são as TAE, TAEG e outras siglas complicadas que só aqueles senhores, por certo inteligentissímos, que trabalham nos bancos sabem. Não domino as manobras das acções e sou despistado. Já me tentaram explicar várias vezes como funcionam as offshores e ainda assim não chego lá.

Por isso, o facto de não entender o negócio entre a Caixa Geral de Depósitos e o empresário Manuel Fino não me surpreende. Deve ser por isso que acho o acordo muito estranho. Li algumas vezes a explicação que o Diário Económico apresentou ontem (AQUI). Ainda assim, não foi suficiente.

Não duvido das boas intenções das duas partes. Quer a administração da CGD quer Manuel Fino estão, por certo, e boa fé e a tentar enfrentar da melhor forma possível a crise que todos enfrentamos.

No meio de todas estas incompreensões, há outra coisa que não compreendo. O presidente da CGD, Faria de Oliveira, não gostou que o negócio tivesse sido conhecido de forma pública. Não percebo porque. A Cimpor é uma empresa cotada em bolsa. A CGD é um banco de capitais públicos, tem de apresentar contas e é o banco de todos nós. Mesmo de quem não tem lá conta. Somos todos accionistas, querendo ou não, da CGD.

Logo, a Caixa deve a todos os portugueses a devida explicação de todos os negócios. Faria de Oliveira, o administrador pago por todos nós, acha que não. Ora, se o negócio é legítimo, honesto, franco e correcto, quais são das misteriosas razões que levam a administração da CGD a ficar zangada por ter sido conhecido?

Com toda a certeza, não deve ser por nada. O problema deve ser meu.

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Continuo a não entender o negócio CGD / Fino, mas o problema deve ser meu