Há um ar estranho a censura no ar

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Há qualquer coisa de estranho a acontecer em Portugal nos últimos tempos. Há jornalistas que recebem telefonemas de ministros a propósito de entrevistas, chefes de Governo demasiado nervosos por questões que nada têm a ver com a situação do país, uma chefe da oposição que se irrita a valer com questões sobre a “não oposição”, uma procuradora da República que proíbe uma screenshot do motor de buscas Google num desfile de Carnaval, apenas porque lhe disseram que tinha imagens pornográficas, e depois volta atrás, agora a notícia dos livros apreendidos porque a capa continha a imagem de um quadro de uma mulher com as pernas abertas.

“Pornografia” – terão gritado algumas vozes. A PSP de Braga, por certo com pouco que fazer no que à criminalidade diz respeito, achou que sim. Por mim, acho que não.

Começo a ficar preocupado com toda esta sucessão de casos e em muito pouco tempo. Depois preocupa-me que a maior parte das pessoas não saiba o que é pornografia. Pornografia, senhores, é a senhora Maya deixar fotografar e fotografar-se na operação às maminhas. Pornografia é aparecerem na televisão uns senhores, por certo muito respeitáveis, exigir que o Estado – todos nós – paguem os investimentos que uns senhores abonados fizeram. Dizem que não sabiam que o dinheiro era utilizado em investimentos, pensavam que eram depósitos simples. Ora aqui está outro caso de pornografia, desta vez intelectual.

Deixemos as coisas bem claras: todos têm direito a opinião, mas achar que o quadro em questão é pornografia não passa de parvoíce. A opinião é livre, a estupidez também. Já a pornografia é algo mais simples de definir. Venha quem vier, mas o quadro não é pornografia. Pode até ser má arte, vá lá. É uma questão subjectiva. Já a censura que foi feita aos livros é uma matéria bem mais objectiva.

Por fim, a PSP decidiu devolver os livros apreendidos. Mais um caso como o outro.

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