Medidas para combater e / ou contornar a crise

1. Não dê, em caso algum, moedas a arrumadores. Lembre-se que uma moeda de 50 cêntimos dá para comprar uma acção da Sonae SGPS e ainda recebe troco.

2. A crise também se combate do ponto de vista psicológico. Desabafe com alguém. Ligue a Dias Loureiro. Diga tudo o que lhe vier à cabeça, mostre as suas ganas, berre, insulte, enfim, desabafe a sério. Não se preocupe com eventuais inconfidências. Pouco depois, Dias Loureiro esquece tudo. Não lhe peça é para assinar documentos. (Caso prático em baixo, anexo A)

gorjeta

3. Seja Fino. Aprenda como fazer negócios excepcionais com a Caixa Geral de Depósitos. Lembre-se da velha história: se dever um milhão, o banco tem-no na mão, mas se dever muitos milhões tem você o banco na mão. Ajuda se tiver acções da Cimpor. (Caso pratico em baixo, anexo B)

4. Telefone para o jornal A Bola e diga que é o fã número dois do Di Maria. Se disser que é o número um, eles não acreditam. Os próprios elementos do jornal são os fundadores do clube de fãs. Desta forma, ganha direito a reportagem de página inteira de jornal. Na pior das hipóteses sempre fica com uma recordação para os netos. Com algum jeito ainda pode transformar-se num empresário de futebol. Em todo o caso, a ideia é divertir-se à grande.

5. Convença o seu sobrinho, se o tiver, a ter uma reunião com um empresário sobre um qualquer projecto. Não se faça de esquisito e peça um “obrigado”.

6. Funde um banco de investimentos e depois deixe que caminhe para a falência. Alguém lhe há-de deitar a mão, para “evitar o colapso do sistema financeiro nacional”.

7. Escreva um livro de umas 300 páginas mas com apenas uma única ideia central: seja mais feliz tendo pensamentos positivos. Num gesto de solidariedade espalhe esta boa nova em conferências, colóquios, seminários. Faça-se cobrar bem por esta ideia genial.

8. Crie blogues ou sites na Internet onde pode ganhar dinheiro dizendo aos outros como podem ganhar dinheiro criando sites ou blogues na Internet. É quase tão simples como o ponto anterior mas dá mais trabalho. E ainda por cima diário.

ANEXOS

Anexo A.

Jornal de Notícias

BPN: Dias Loureiro chamado a explicar contradições

00h30m

A.P.C.

Manuel Dias Loureiro vai mesmo ter que voltar a ser ouvido no Parlamento para explicar as contradições entre o que disse na primeira audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BPN e os documentos que assinou enquanto administrador da SLN, proprietária do banco nacionalizado em Novembro.

A decisão de voltar a chamar o antigo ministro de Cavaco Silva recolheu o apoio de todos os partidos representados na comissão. A data da audição será marcada posteriormente.

A necessidade de uma segunda audição surgiu na sequência da revelação de documentos, na edição de sábado do semanário Expresso, segundo os quais Dias Loureiro assinou a formalização e a extinção do negócio entre a SLN e duas empresas porto-riquenhas, do qual resultou um prejuízo significativo para o grupo. Ao responder às questões dos deputados, em Janeiro, o gestor garantiu não ter tido influência no negócio, após a publicação da notícia, admitiu ter havido falhas de memória e disponibilizoiu-se para dar novas explicações.

A reunião da comissão de inquério, prevista para ontem e que tinha na ordem de trabalhos a audição de Lencastre Bernardo, outro antigo administrador da SLN, foi adiada, que ocupara o cargo de director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras no tempo em que Dias Loureiro era ministro da Administração Interna. O prolongamento da sessão plenária de ontem foi o principal argumento para o adiamento da reunião. De qualquer forma, Maria de Belém deu conhecimento aos deputados da comissão do aval do presidente da Assembleia da República para que sejam pedidos pareceres jurídicos sobre a possibilidade de ser exigida o levantamento do sigilo bancário, que tem sido invocado por alguns depoentes.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Nacional/Interior.aspx?content_id=1148329

Anexo B.

Jornal de Negócios

A Caixa Geral de Depósitos anunciou hoje a compra de uma posição de 9,58% do capital da Cimpor, tendo pago ao empresário Manuel Fino um total de 305,9 milhões de euros, mais de 25% acima do valor de mercado desta participação financeira.
A Investifino, sociedade de Manuel Fino, vendeu hoje fora de bolsa 64.406.000 da Cimpor à Caixa Geral de Depósitos, a 4,75 euros cada uma, quando os títulos fecharam a sessão de hoje a valer 3,79 euros.
A venda desta posição, que totaliza 9,58% do capital da Cimpor, deve-se à liquidação de um empréstimo ao banco por parte do empresário Manuel Fino, que assim reduziu a sua posição no capital da cimenteira para 10,67%.
Esta informação foi veiculada em comunicados da CGD e da Cimpor, confirmam assim a notícia hoje avançada pelo Negócios, que apurou que o investidor vai saldar parte da dívida contraída para comprar acções através da entrega de cerca de 10% da cimenteira à CGD. No entanto, o acordo de reestruturação do financiamento dá a Fino o direito de, a qualquer momento nos próximos três anos, recomprar aquela participação. Durante este período, o banco não pode vender as acções, algo que também é assegurado pelo comunicado emitido esta tarde.
O entendimento entre a Investifino, "holding" pessoal de Manuel Fino, e a Caixa ficou fechado na semana passada e deverá ser formalizado através de um contrato de dação em pagamento, a celebrar nos próximos dias.
Após a aquisição das acções, a CGD passou a deter 64.825.894 acções da Cimpor, o que corresponde a 9,65% do capital da cimenteira.
As acções da Cimpor fecharam nos 3,79 euros, a subirem 1,07%.

 

http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS&id=354710

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Medidas para combater e / ou contornar a crise

Um pensamento sobre “Medidas para combater e / ou contornar a crise

  1. Gostei particularmente do ponto numero 1 e 8 =)
    Pena haver custos na subscrição de acções. Se não comprava uma acção da Sonae SGPS quase todos os dias. O troco ainda daria para umas chicletes.

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