A obscenidade dos despedimentos indiferenciados

O líder da Confederação da Indústria Portuguesa, Francisco Van Zeler, diz ao Jornal de Notícias de hoje que “despedir quando se tem lucros é um bocadinho vergonhoso”. Um ‘bocadinho’? Humm, pensando bem, acho muito vergonhoso. Mas isto sou eu…

Num momento como o actual, do ponto de vista financeiro, económico e social, apostar nos despedimentos significa mais uma machadada num processo de recuperação que será complexo, moroso e deverá abrir as portas de um novo ciclo.

David Fitzsimmons,Arizona Daily Star

Cartoon de David Fitzsimmons, Arizona Daily Star, EUA

Se tem de ser, porque a empresa vai fechar ou não consegue suportar os custos,  e não há alternativa, custa mas temos de aceitar e seguir em frente. Sempre podemos encolher os ombros e dizer que é a vida.

Outra história é apresentar lucros e rentabilidade. Despedir pessoas apenas para manter essa rentabilidade ou como ‘medida preventiva’ é obsceno. Quem, afinal, contribuiu para esses resultados?

Há dias, dizia a responsável pelos recursos humanos da Microsoft que a unidade portuguesa – classificada como a melhor empresa para trabalhar – não tem problemas de produtividade, sendo das melhores filiais da multinacional da informática. 

Os portugueses que trabalham no estrangeiro, não todos, claro, mas a maioria são, por norma, elogiados. Os artistas que saem de cá obtêm êxito internacional, seja nos EUA ou em Inglaterra. No Luxembrugo são excelentes profissionais e com grande rentabilidade. Um estudo técnico, revelado em Novembro passado, diz que "se os portugueses no Luxemburgo viessem trabalhar para Portugal, começariam a trabalhar às 17 horas de terça-feira e gozariam as férias anuais de 15 de Maio até final do ano".

Por cá é o que se vê. É claro que há trabalhadores preguiçosos e incompetentes, mas também os há em todos os países do mundo. Portanto, parece não haver um problema de produtividade da generalidade dos trabalhadores portugueses. Logo, assim à primeira vista até poderei estar a pensar que uma grande dose de responsabilidade estará nos patrões que temos. Sim, porque entre ‘patrão’ e ‘empresário’ há uma diferença. Estou enganado ou temos patrões a mais e empresários a menos?

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A obscenidade dos despedimentos indiferenciados