À espera de poder bater à porta de Coraline

Confesso que é um dos meus filmes mais aguardados do ano. Chega dentro de dias e numa fase em que as salas estão repletas de candidatos aos Oscars.

Coraline e a Porta Secreta” (título português) reúne um conjunto de atractivos impressionate. Primeiro, porque é baseado numa obra de Neil Gaiman, um dos melhores autores de novelas gráficas de fantasia, como “Sandman”, entre outros, depois porque a adaptação e realização ficaram a cargo de Henry Selick, responsável por esse monumento que é "O Estranho Mundo de Jack".

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Com estes predicados é bom que menos atentos aos filmes de animação não esperem um registo ao estilo Disney, nem sequer ao estilo Pixar.

Coraline Jones é uma criança que mudou de casa, com os pais, para o Oregon. A família, ou alguma coisa que se pode definir assim, passou a habitar uma casa antiga. A nova realidade não significa que Coraline tenha beneficiado com isso. Continua a ser ignorada pelos pais, que se entretêm a trabalhar, escrevendo sobre jardinagem. Por isso, passa o tempo a explorar o que existe nas redondezas, num permanente mau humor. As coisas mudam quando uma certa boneca surge na vida de Coraline.

A boneca, olhando bem, até se parece com ela, embora no lugar dos olhos estejam uns botões. A partir daí, as duas passam a ser inseparáveis. Um segundo factor vem transformar a vida de Coraline. Nas suas missões exploratórias desconbre, dentro de casa, uma porta secreta, muito misteriosa, que a vai conduzir a um novo mundo. Um mundo mais alegre e feliz onde encontra novas versões dos seus pais, que lhe dão toda a atenção que ela tanto deseja. Só que também eles têm botões no lugar dos olhos. Não há-de tardar nada para que as coisas fiquem mais estranhas e sombrias.

A história de Coraline tem influências óbvias da obra-prima de Lewis Carrol, "Alice no País das Maravilhas".

O filme de Henry Selick segue a linha central da história original, regressando à animação de “stop-motion” que tão bem utilizou em "O Estranho Mundo de Jack" (1993), numa parceria com Tim Burton. O stop-motion mais não é que fotografar cada movimento dos bonecos, em vez de desenhá-los em papel ou em computador. O filme ganha assim uma dimensão especial que pode ser mais acentuada se for vista na opção de 3D.

Em Portugal o filme pode ser visto na versão original ou dobrada em português. O trabalho de adaptação para a versão lusa foi de Nuno Markl. Uma excelente escolha, tendo em conta que se trata de um apreciador da obra de Gaiman e deve ter trabalhado com atenção e carinho o material que lhe foi entregue. Consta que a dobragem está muito boa, de resto algo que tem sido habitual nos últimos anos. Ainda assim, devo optar pela versão original.

Há já quem diga que este pode ser o primeiro filme do ano a aparecer como candidato aos Oscars de 2009.

A ler ainda duas entrevistas com Henry Selick… Aqui e Aqui

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À espera de poder bater à porta de Coraline