Do tempo da “digressão de promoção do novo álbum” ao tempo do novo álbum para promover a digressão

Nos dias de hoje, as editoras e etiquetas musicais, os agentes de artistas e bandas, além dos promotores de espectáculos insistem em anunciar os espectáculos de grande parte dos intérpretes como fazendo parte da “digressão de promoção do novo álbum”. É uma estratégia de marketing como qualquer outra e baseado nas fórmulas de outros tempos.

No passado, os músicos lançavam discos e iam para a estrada promove-los. Era, claro, uma forma de ganhar dinheiro, mas sobretudo de contacto com os fãs e fazer com que comprassem discos, antes ou depois dos espectáculos.

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Os tempos agora são outros e o dinheiro para os artistas está do outro lado do arco-íris chamado “concertos”. É na estrada, em espectáculos em estádios, pavilhões, salas de concertos ou pequenos clubes e bares, que os músicos ganham dinheiro. A fórmula está alterada. Do tempo em que faziam uma “digressão de promoção do novo álbum” passamos, passaram os artistas, ao tempo em que lançam um novo disco para promover a digressão.

Em Portugal perguntem, por exemplo, a Xutos e Pontapés ou a Tony Carreira. O mais popular dos cantores nacionais não deve ter muitos fãs a “sacar” canções ou discos inteiros da Internet sem pagar. Vende milhares de exemplares de cada disco, o último é platina por cinco vezes, mas por cada ano faz dezenas de espectáculos e os primeiros de cada digressão são de produção própria, através da sua empresa.

Os discos, sejam CDs ou DVDs musicais ou ainda ficheiros em MP3 ou outros formatos de distribuição, representam uma pequena fatia do rendimentos dos artistas.

O dinheiro investido na compra de música por parte dos fãs começa por pagar à editora os custos de produção – desde pagamento do estúdio, técnicos, promoção, gravação, produção de imagens, entre outros -, depois paga à editora a percentagem da editora, depois há outras pequenas despesas a suportar e só no final da linha os artistas recebem uma pequena percentagem.

É claro que auferem ainda os direitos de autor. Se não fosse isso, e os concertos, mais valeria tocar e cantar as canções no metropolitano ou nas ruas das cidades. Há uns anos, na comunidade dos músicos, falava-se de que os concertos estavam em queda. Há um ano e meio alguns agentes anunciavam que a crise dos artistas estava a chegar, não só porque a música era “sacada” da internet sem que os intérpretes recebessem algo por ela, mas também porque a crise ia inibir os fãs de pagar bilhete para assistir aos espectáculos. Não foi isso que aconteceu.

Daí que sejam os concertos a fornecer real rendimento, do dinheiro a sério, aos músicos.

Os dados divulgados nos últimos dias pelas Billboard mostram isso mesmo. É na estrada, nas “tours”, que está o “show me the money” das bandas e cantores. Basta olhar para o top dos fazedores de dinheiro em 2008 no mundo da música. Os primeiros 20 fizeram diversos concertos ou digressões inteiras.

Madonna foi número um. A sua “sweet tour” foi mesmo um doce para a norte-americana, que embolsou 242 milhões de dólares para a sua conta pessoal. O seu último disco ficou apenas na linha do número 50 entre os mais vendidos nos EUA. Foi apenas a 14ª na lista das canções mais comprados através das lojas online. Mas teve a mais rentável digressão do ano.

Depois de Madonna surge Bon Jovi, com 157 milhões de dólares, Bruce Springsteen (com 156), Police (110), Celine Dion (99), Kenny Chesney (90), Neil Diamond (82), Rascall Flatts (63), Jonas Brothers (62) e Coldplay (62).

Os cinco primeiros fazedores de dinheiro são também autores das cinco principais digressões efectuadas no ano passado. E na mesma ordem, revela a Billboard.

Os números referem-se aos EUA mas, que não haja enganos, na Europa e no resto do mundo também é assim. Duvidam? Perguntem a um músico. Em Portugal perguntem, por exemplo, a Xutos e Pontapés ou a Tony Carreira. O mais popular dos cantores nacionais não deve ter muitos fãs a “sacar” canções ou discos inteiros da Internet sem pagar. Vende milhares de exemplares de cada disco, o último é platina por cinco vezes, mas por cada ano faz dezenas de espectáculos e os primeiros de cada digressão são de produção própria, através da sua empresa.

Ainda duvidam? Vá lá, perguntem a um artista.

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