As chicotadas psicológicas

Há uns anos contaram-me que era necessária apenas uma articulação entre três a quatro jogadores influentes numa equipa de futebol para que fosse apenas uma questão de tempo até o treinador ser atirado borda-fora, mesmo que o presidente e o técnico sejam belos amigos. O problema é que os adeptos, sempre insatisfeitos, pressionam até à demissão.

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Não terá sido bem assim a despedida de José Mourinho do Chelsea. Mas apenas porque os adeptos ainda gostavam do “special one”. Já a saída de Scolari do mesmo clube deve ter obedecido aos dois requisitos mas não ao parâmetro do ‘amigo do presidente’, porque entre Filipão e Abramovich não consta que tenha havido muita empatia.

Quanto ao PSD ainda não sei como se vai processar a saída do actual “mister”. Manuela Ferreira Leite parece ter uma margem cada vez mais curta para segurar o “balneário” autofágico de líderes em que se tornou o PSD.

Partido de vocação de poder e que se dá muito mal na oposição, há muito tempo sem generais estrategas e soldados desnorteados, o PSD continua à deriva. Nas últimas semanas o conflito interno no partido, que nunca desapareceu, ficou mais visível. Claro pretendente à liderança, Passos Coelho aparecia em ‘posse de estado’, sereno, tranquilo, a garantir que a líder tinha o seu apoio institucional. Marcelo Rebelo de Sousa seguia o mesmo percurso, tanto mais que tinha apoiado Ferreira Leite na corrida pela liderança.

Nos últimos dias as coisas mudaram. Talvez devido às sondagens negativas ou ao facto do PSD continuar a não existir na sociedade. Não são as reuniões na sede do partido com associações profissionais que transmitem uma mensagem ao país. O PSD desapareceu da vida do país. Não vai às empresas, não vai às ruas, está remetido a almoços de notáveis e uma tantas conversas de gabinete.

Passos Coelho deve ter percebido que a coisa, assim, não vai lá. Ontem veio afirmar que o rei vai nu. Isto é, que o PSD não mostrou o projecto alternativo. Na realidade quis dizer que não há projecto alternativo. Hoje, Ângelo Correia, que apoiou Passos nas últimas eleições, deixa o recado de que o melhor será Ferreira Leite sair do PSD. Não deve ser por acaso. Corrijo, não é por acaso.

Resta a Manuela Ferreira Leite ganhar o próximo jogo, que é em casa. Se não conseguir pode ser que não chegue ao final da época, quanto mais ao final do contrato.

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